Putin propõe ação com Estados Unidos
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Associated Press De Moscou 
Autoridades militares e políticos russos apoiaram ontem a proposta do presidente Vladimir Putin para que Rússia e Estados Unidos trabalhem em conjunto para a construção de um mecanismo de defesa contra possíveis ataques nucleares de nações consideradas párias.
Putin expôs a proposta durante entrevista concedida à rede de tevê NBC e levada ao ar na noite de anteontem dois dias antes da prevista chegada do presidente norte-americano Bill Clinton a Moscou, onde este se reunirá com o novo líder russo.
No topo da agenda da reunião de cúpula estará a proposta dos Estados Unidos para modificar o Tratado Antimísseis Balísticos (AMB), de 1972.
Os Estados Unidos pretendem construir um mecanismo nacional de defesa antimísseis contra possíveis ataques nucleares de estados como Coréia do Norte e Irã. Há temores quanto a uma eventual aquisição de armas nucleares por parte desses dois países.
A Rússia foi duramente contrária a qualquer modificação do tratado, argumentando de que uma mudança poderia afetar o equilíbrio estratégico e iniciar uma nova corrida armamentista.
Mas os comentários de Putin indicaram que a Rússia poderia estar movimentando-se rumo a um compromisso. Tais mecanismos são possíveis se unirmos nossos esforços e dirigi-los à neutralização das ameaças contra Rússia, Estados Unidos, nossos aliados e à Europa em geral, afirmou Putin. Temos essas propostas e pretendemos discuti-las com o presidente Bill Clinton.
Autoridades russas, entre elas o ministro russo de Relações Exteriores, Igor Ivanov, ventilaram a idéia de trabalhar em conjunto para combater qualquer tipo de ameaça, para o que não seria necessária nenhuma alteração do ABM.
Gennady Seleznyov, líder comunista na Duma, Câmara baixa do Parlamento russo, elogiou ontem a iniciativa do presidente. Tudo aquilo que visa garantir a segurança é positivo, afirmou. As principais possíveis ameaças contra Estados Unidos, Rússia e outros países da Europa devem ser reduzidas ao mínimo.
Um sistema conjunto de defesa seria vantajoso à indústria de defesa russa por causa do conhecimento comum de que nosso sistema de mísseis é o melhor do mundo, declarou Sergei Ivanenko, parlamentar do reformista partido Yabloko, segundo publicou a agência de notícias Interfax.
O exército também expressou apoio. O comandante das Forças Estratégicas de Mísseis da Rússia sugeriu que os governos norte-americano e russo deveriam combinar o conhecimento do ABM.
As duas grandes potências nucleares devem dar o exemplo e reduzir o limiar do perigo nuclear, disse o coronel general Vladimir Yakovlev, ainda de acordo com a Interfax.
Ontem, ao receber o Prêmio Carlos Magno, em Aachen, na Alemanha, por sua contribuição à integração européia , Clinton ouviu pela segunda vez comentários de alerta do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, sobre o perigo de uma nova corrida armamentista caso o ABM seja violado.
Clinton chega hoje a Moscou e, à noite, janta no Kremlin ao som do mais famoso grupo de jazz russo. O músico Oleg Lundstrem, de 84 anos pioneiro do jazz no país convidou Clinton a tocar sax com o grupo.


