São Paulo - O presidente russo, Vladimir Putin, e o líder sírio, Bashar Assad, discutiram planos para uma conferência de paz e o progresso do processo de eliminação das armas químicas sírias durante um telefonema ontem, informou o Kremlin.
O governo russo não deu detalhes, mas disse que Putin pediu ao governo Assad que faça tudo o que puder para aliviar o sofrimento dos civis e "avaliou positivamente" a prontidão do governo sírio para enviar uma delegação às negociações de paz planejadas.
Putin também manifestou preocupação com o que chamou de perseguição a cristãos e a outras minorias religiosas por parte de extremistas na Síria, informou o serviço de imprensa do Kremlin.
"Foi expressa a esperança de que o governo da Síria fará tudo o que for possível para aliviar o sofrimento da população civil e restabelecer a paz entre as religiões", disse o comunicado do Kremlin.
Putin também "manifestou satisfação" com a cooperação da Síria com a missão da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), que supervisiona a eliminação das armas químicas sírias sob um acordo mediado pela Rússia e os Estados Unidos. Washington e Moscou também estão tentando organizar uma conferência internacional de paz em Genebra.
No dia 31 de outubro, a Opaq deu por concluída uma primeira etapa para a destruição das armas químicas na Síria, concretamente, o desmantelamento das unidades de produção e embalagem.
A Opaq espera agora que a Síria concretize um plano para a completa eliminação de todo o arsenal químico do país, processo que deve se consumar durante a primeira metade de 2014, em virtude do acordo russo-americano para evitar uma intervenção militar estrangeira no país árabe.
O comunicado pareceu ter a intenção de retratar o presidente sírio como tendo uma abordagem construtiva em relação aos esforços para assegurar a paz em seu país depois de uma guerra civil de mais de dois anos e meio, e reforçar o papel da Rússia como interlocutora.
A Rússia é a principal defensora internacional de Assad durante o conflito, enviando armas e bloqueando os esforços de potências ocidentais para condenar ou pressionar Assad. A Rússia diz que não está tentando manter o regime Assad, mas que a saída dele não pode ser uma precondição para as negociações de paz.
Assad expressou seu agradecimento às autoridades russas por sua "ajuda e apoio ao povo sírio".

mockup