Putin diz que usa gás de novo se for preciso
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segunda-feira, 28 de outubro de 2002
Agência EFE 
Moscou O Kremlin não atendeu ontem ao clamor dentro e fora da Rússia para que revele que gás misterioso encerrou a crise dos reféns em Moscou com um grande número de mortes, e deu a entender que voltará a usá-lo contra a ameaça terrorista. Víctor Fominij, chefe do departamento de recuperação do centro médico do Kremlin, disse em uma entrevista coletiva que ``não foram usadas substâncias tóxicas militares``, e reiterou a posição oficial de que é ``um anestésico geral`` de uso cirúrgico.
Mas fontes oficiosas atribuíram a origem do gás paralisante a experiências secretas do KGB soviético na Guerra Fria, enquanto a organização de direitos humanos Memorial acusou os serviços de segurança de ``usar armas químicas``.
Alguns especialistas disseram que os serviços de segurança têm entre suas armas o gás ``kolokol``, herdado da URSS, e outros disseram que por sua ação instantânea e efeitos pode se tratar de um arma química norte-americana ou britânica.
Do gás sonífero, em princípio não letal como tranquilizante ligado ao valium ou a outras substâncias derivadas ou similares às do fungo venenoso Amanita Muscaria, existem versões como o BZ, o QNB e o QND, usados, segundo denúncias, na Iugoslávia, Moçambique e Iraque.
Com efeitos paralisantes nos neurotransmissores, de acordo com fontes médicas, o problema estaria na concentração, mortal para 50 por cento das pessoas presas em um local numa overdose de 200 gramas por minuto por metro cúbico de ar.
``Sim, houve gás, e começou a ser lançado meia hora antes do ataque ao teatro``, declarou ao jornal ``Izvestia`` um agente Alfa, que disse que seus descobridores foram agraciados com o Prêmio Lenin. Outro agente secreto declarou à ``Moskovski Komsomólets`` que ``o gás utilizado foi elaborado em um laboratório do KGB``, entre outras armas que ``continuam sendo consideradas uma das mais perfeitas do mundo``.
Lev Fiódorov, diretor de um instituto para a Segurança Química, disse que o gás que matou os reféns foi criado em ``um centro secreto`` de Leningrado, hoje São Petersburgo, que era encarregado de investigar ``substâncias de grande pureza``.


