Putin assume responsabilidade por acidente com submarino
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Associated Press De Moscou 
Em uma extraordinária demonstração de humildade após as duras críticas do público em geral, o presidente russo Vladimir Putin disse ontem sentir-se responsável e culpado pelo desastre com um submarino que causou a morte de 118 marinheiros e revoltou a nação.
O ministro russo de Defesa, Igor Sergeyev, e o chefe da Marinha, almirante Vladimir Kuroyedov apresentaram suas renúncias devido ao acidente envolvendo o Kursk, um dos mais modernos submarinos da frota da Rússia antes da explosão que teria causado seu naufrágio em 12 de agosto.
Mas Putin disse que rejeitaria os pedidos de renúncia. Procurar bodes expiatórios, disse ele, seria a resposta mais equivocada.
Eu assumo toda a responsabilidade e toda a culpa por esta tragédia, disse o presidente em entrevista à rede de televisão russa RTR.
Em um país no qual o passado autoritário ainda deixa suas marcas, os comentários de Putin demonstraram sua sensibilidade com relação à opinião pública e sua ânsia por reconquistar a confiança sem precedentes da nação para com um líder russo.
Muitos observadores esperavam que Putin responderia com a demissão de autoridades do alto escalão como fazia às vezes seu antecessor, Boris Yeltsin.
A entrevista com Putin foi transmitida quando a Rússia respeitava luto de um dia pelas vítimas da tragédia e depois de ele se reunir por três horas com familiares dos marinheiros no fim da noite de anteontem na base onde ficava estacionado o Kursk, em Vidyayevo.
As conversas foram muito sinceras. Ele admitiu sua culpa e sua inércia e disse que o principal motivo foi a falta de dinheiro, comentou Oksana Dudko, cujo marido Sergei era subcomandante do Kursk.
Falando sóbria e firmemente, Putin defendeu seu silêncio inicial e a demorada resposta às ofertas de ajuda internacional dizendo que a Marinha agiu da forma mais rápida possível, possuindo poucas informações sobre as condições do submersível.
Ele também prometeu recuperar a honra de seu Exército enfraquecido e do país. Isso me faz sofrer, a teoria de que a honra da Marinha e a honra da Rússia afundaram junto com o Kursk, declarou. Nosso país sobreviveu a muitas adversidades. Nós superaremos isso e recuperaremos tudo - o Exército, a Marinha e o Estado.
O país inteiro baixou as bandeiras a meio pau e rezou nas catedrais ortodoxas. A televisão interrompeu parte de sua programação e o mais popular site russo da Internet anekdot.ru, mostrou uma tela negra vazia durante todo o dia.
Os parentes das vítimas recusaram-se a aderir ao luto, exigindo que os corpos de seus filhos e maridos sejam antes retirados do fundo do mar. Putin prometeu que os corpos seriam recuperados. De acordo com o presidente russo, mergulhadores fariam um buraco no submarino ou o trariam a uma região mais rasa. Ainda segundo Putin, isso já estaria sendo negociado com mergulhadores noruegueses e holandeses.
Mas Mikhail Kuznetsov, comandante do complexo militar de Vidyayevo, disse que os trabalhos não poderiam ser iniciados até o degelo da próxima primavera no hemisfério norte.
O Kremlin prometeu compensar as famílias, que dependiam dos miseráveis soldos dos marinheiros para sua subsistência. O governo federal prometeu pagar, em parcela única, uma média de US$ 7.000 por família quantia equivalente a 10 anos de salário para um oficial de submarino , disse a vice-primeira-ministra Valentina Matviyenko.


