Putin assume controle direto da Chechênia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de junho de 2000
France Presse De Moscou 
O presidente russo, Vladimir Putin, tomou pessoalmente as rédeas do poder na Chechênia ontem ao colocar essa república do Cáucaso sob administração presidencial direta, no dia seguinte ao primeiro ataque suicida cometido pelos separatistas, informou o secretário do Conselho de Segurança, Serguei Ivanov.
A administração direta da região separatista ficará em vigor por dois ou três anos, até a eleição de um órgão legislativo do poder nacional na chechênia.
A exata duração da administração direta não foi precisada no decreto presidencial, mas Putin já tinha falado em dois anos. Esta decisão, tomada oito meses depois do início da intervenção terrestre contra a república do Cáucaso do norte, não é compatível com as expectativas de alguns países ocidentais de que Moscou negocie com os separatistas.
É lógico pensar que o componente político (do conflito) vai se reforçar consideravelmente agora, comentou no entanto o representante do Kremlin para a Chechênia, Serguei Iastrjembski, afirmando que o decreto acabava com a operação antiterrorista na Chechênia.
Principalmente no momento em que as forças russas sofreram, anteontem, o primeiro ataque suicida desde o início do conflito terrestre.
Um caminhão carregado com dinamite invadiu uma base militar em Aljan-Iurt, perto de Grozny, e explodiu matando 27 russos, segundo os chechenos, e dois mortos segundo os russos.
No total 2.079 soldados russos morreram e outros 5.904 foram feridos na Chechênia desde primeiro de outubro de 1999. Por outro lado, o governo russo estuda as medidas urgentes que devem se tomadas para a reconstrução da república, destruída pelos bombardeios.
Este ano Moscou gastará um total de 7,8 bilhões de rublos (279 milhões de dólares) para reconstruir a economia chechena, disse o ministro russo do Desenvolvimento Econômico, Arkadi Samojvalov.
As autoridades federais já entregaram 700 milhões de rublos (25 milhões de dólares). Os gastos para a reconstrução da Chechênia podem no entanto chegar a 12 bilhões de rublos (428 milhões de dólares), estimou o representante do governo russo na república, Nikolai Kochman.
O governo russo não dispõe de uma soma dessas características, assegurou Kochman. Há empresários da diáspora chechena que estão dispostos a dar dinheiro, mas precisam de garantias por parte do Estado e ninguém as dá, assegurou Kochman.
Em Londres, a Anistia Internacional afirmou que os atos de tortura continuam na Chechênia, evocando depoimentos recentes de detidos no campo de triagem de Urus-Martan, assim como o de um homem de 20 anos, deido de 6 a 13 de maio no campo Internat.
Libertado depois de ter sido forçado a assinar um documento segundo o qual teria sido tratado com humanidade, o jovem afirma ter sido espancado durante horas, e violado pelos guardas com bastões e canos de armas de fogo.


