Punição a ditadores assusta autocratas mundo afora
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de abril de 2011
Agência Estado 
Ditadores estão descobrindo na marra que, se forem depostos, não encontrarão mais um confortável exílio para passar o fim de seus dias. Na Tunísia, o regime de Zine al-Abidine Ben Ali responde por 4 mil casos de corrupção. No Egito, o ex-presidente Hosni Mubarak e dois de seus filhos receberam na semana passada voz de prisão e, na Costa do Marfim, o ex-líder Laurent Gbagbo teme ser entregue ao Tribunal Penal Internacional.
Mas, segundo analistas e a própria ONU, a quebra na impunidade dos líderes parece estar surtindo o efeito inverso. Em vez de intimidar ditadores ao redor do globo, a perseguição tem feito outros autocratas agarrarem-se ainda mais ao poder, mesmo às custas de centenas de vidas.
A Tunísia transformou-se na referência da "prestação de contas" de ditadores. Quando Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita, a queda do regime parecia seguir o "velho script". Mas, três meses depois, um amplo sistema foi montado para obrigá-lo a pagar por seus supostos crimes. "A população e mesmo os novos líderes não querem mais a impunidade", disse Mona Rishmawi, chefe do Departamento Jurídico da ONU. Há poucas semanas ela foi para a Tunísia avaliar as reformas democráticas.
Entre os esforços para reparar os prejuízos de décadas de autoritarismo, o novo governo aceitou a sugestão da ONU de criar uma comissão para receber queixas de pessoas que tenham sido prejudicadas pelo regime de Ben Ali. O que não se esperava era que, em duas semanas, recebessem 4.200 casos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


