Próximas 48 horas servirão de teste para cessar-fogo
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Karin Laub Associated Press De Jerusalém 
Depois de aceitar com relutância um plano de trégua do diretor da CIA, George Tenet, israelenses e palestinos discutiam ontem sobre quem deveria dar o primeiro passo, mas concordavam que as 48 horas seguintes seriam cruciais.
Cada lado imediatamente levantou dúvidas sobre a boa-fé do outro, minando esperanças de que o acordo será respeitado. Nos últimos nove meses de confrontos, várias tréguas foram rompidas, inclusive uma mediada pessoalmente pelo então presidente norte-americano Bill Clinton.
O atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também advertiu para expectativas exageradas, dizendo que o atual acordo era apenas um primeiro passo. Ainda existe uma situação frágil lá, afirmou Bush durante sua passagem por Bruxelas.
Tenet reuniu-se ontem em Tel Aviv com oficiais de segurança israelenses e palestinos para trabalhar detalhes da implementação do acordo. A reunião coroou uma semana de mediação, o maior esforço diplomático feito até agora pela administração Bush no Oriente Médio.
Os palestinos reclamaram depois do encontro de três horas que Israel não apresentou nenhum calendário para a amenização de seus sufocantes bloqueios de segurança na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, nem para a retirada de tropas das periferias de cidades palestinas, duas exigências-chave no documento de Tenet.
O porta-voz do Exército israelense, general de brigada Ron Kitrey, afirmou que Israel considera que o cessar-fogo teve início às 15 horas locais de ontem, com o fim da reunião de segurança em Tel Aviv. Quando vermos um cessar-fogo em campo, vamos começar a implementar nosso lado do acordo, disse o porta-voz do governo israelense Avi Pazner.
O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, instruiu os militares a começarem a implementar o acordo paralelamente com o compromisso palestino de parar e evitar ataques terroristas e a violência, segundo um comunicado. Em 48 horas, se o cessar-fogo for mantido, os militares israelenses começarão a recuar de suas posições nos territórios.
Ontem, antes do encontro de segurança em Tel Aviv, dois israelenses foram feridos a tiros em emboscadas na Cisjordânia. Mais tarde, um morteiro foi disparado contra o assentamento judaico de Atzmona, na Faixa de Gaza, sem causar vítimas.
Militantes islâmicos, que promoveram mais de uma dezena de atentados à bomba em Israel nos últimos nove meses, disseram ontem que vão continuar com os ataques. Os palestinos manterão a Intifada (levante) por todos os meios até que alcancem seus objetivos, inclusive o fim da ocupação israelense, afirmou Ismail Abu Shanab, porta-voz do grupo Hamas na Faixa de Gaza.


