Israel considerou ontem que o discurso do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, pronunciado durante a cúpula árabe que se realiza no Cairo, está cheio de ‘‘acusações sem fundamento e provocadoras para com Israel’’, indicou o porta-voz do governo, Nachman Shai.
‘‘Agora parece muito claro que (Yasser) Arafat não vai instaurar o acordo de Sharm el-Sheikh’’, disse numa coletiva. ‘‘O discurso de Yasser Arafat foi insultante, com acusações sem base e provocadoras para com Israel’’, acrescentou.
‘‘Tudo isto provoca dúvidas sobre a capacidade da autoridade palestina de tomar medidas destinadas a dar fim à violência’’, frisou Shai. Todos os chefes de delegação que discursaram até agora denunciaram Israel como responsável pelas violências e confirmaram seu apoio aos palestinos.
A Líbia se retirou ontem da cúpula árabe do Cairo para protestar contra o projeto de resolução final, que não exige claramente romper relações com Israel.
‘‘A delegação líbia anunciou sua retirada da conferência na cúpula após ter expressado suas reservas sobre o projeto de resolução que não inclui nenhuma decisão clara quanto ao rompimento das relações árabes com a entidade israelense’’, informou um comunicado oficial.
Cerca de um milhão e meio de iemenitas se manifestaram ontem em Sanaa para expressar seu apoio aos palestinos e reclamar decisões firmes da cúpula árabe no Cairo, constatou um jornalista da AFP.
Os manifestantes – 1,5 milhão de pessoas segundo os organizadores – em sua maioria armados, exigiram dos dirigentes árabes ‘‘que adotem decisões firmes em relação às forças israelenses de ocupação’’ e que ‘‘abram o caminho da jihad (guerra santa) contra o inimigo sionista’’.
No Cairo, cerca de quatro mil estudantes universitários pediram ontem aos dirigentes árabes reunidos na cúpula extraordinária na capital egípcia, que declarem guerra a Israel, única medida, segundo eles, que pode acabar com a arrogância israelense.
Milhares de palestinos também se manifestaram ontem em um campo de refugiados próximo a Damasco, para exigir da cúpula árabe que rompa as relações com Israel, confirmou um jornalista da AFP.
Os manifestantes atravessaram as ruas do acampamento de Yarmuk, na entrada sul de Damasco, carregando bandeiras e cartazes.

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