Curitiba - Indústrias paranaenses estão se organizando para garantir oportunidades de negócios com o sequestro de carbono da natureza. O assunto vem sendo discutido desde 1997, quando foi criado o Protocolo de Kyoto. O acordo mundial que envolve 141 países entrou em vigor esta semana, oito anos depois do início das discussões. Apesar de ser complexo, o protocolo prevê o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para garantir eficiência energética, mudança energética e sequestro de carbono com o objetivo de retirar as fontes poluidoras do meio ambiente.
Até hoje, apenas dois projetos brasileiros foram aprovados pela Comissão Nacional de Meio Ambiente e foram encaminhados para Organização das Nações Unidas (ONU) para certificação e troca de créditos de carbono. São elas: Vega (Bahia) e Nova Iguaçu (Rio de Janeiro). Os dois projetos tratam sobre a substituição de lixões por aterros sanitários. ''Na teoria, a partir de hoje já podemos ter emissão de créditos. Uma auditoria da ONU ainda terá que vir para o Brasil acompanhar estes dois projetos antes de emitir o certificado. Mas os primeiros passos foram dados e em breve teremos a troca deste benefício à natureza por dólares'', afirmou Adilson Luiz de Paula Souza, coordenador da área de assessoria técnica tecnológica do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Dos 64 projetos que estão em estudo pela Comissão Nacional de Meio Ambiente, nenhum é do Paraná. Os primeiros dois projetos paranaenses devem ser concluídos até julho e têm o apoio técnico do Senai. Os dois estão sendo feitos pela mesma empresa que pretende substituir o uso de óleo puro por biomassa, com redução da fonte fóssil.
O segundo projeto da mesma empresa, aproveita o vapor gerado pela biomassa para gerar energia interna para a empresa, em substituição à rede elétrica. ''Estamos ainda em fase de concepção desse projeto. Faltam os cálculos que irão apontar quanto teríamos de sequestro de carbono com estes projetos e as metodologias que iremos usar'', explicou Souza.
O Protocolo de Kyoto ainda deixa algumas formas de sequestro de carbono em suspenso. Uma delas seria através de áreas de reflorestamento.
Os valores pagos por tonelada de carbono também estão em alta. Em 1997, uma tonelada valia entre US$ 2 e US$ 3. Hoje está em US$ 10.

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