Protocolo de Kyoto entra em vigor
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Cristina Amorim<br>Agência Estado 
São Paulo - O Protocolo de Kyoto, acordo global para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, entrou em vigor ontem após sete anos de debate. Contudo, com dois problemas: a de que o tratado não é suficiente para salvar a humanidade do próprio homem; e a ausência dos Estados Unidos, o maior emissor do planeta, mais a intenção de países como Grã-Bretanha de recolocá-los na mesa de negociação ambiental.
''Por si só, o protocolo não salvará a humanidade dos perigos das mudanças provocadas pela interferência antrópica perigosa no clima'', alertou o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, em gravação transmitida hoje de Kyoto, onde aconteceu a negociação em 1997. ''Vamos celebrar, mas não sejamos complacentes. Não há tempo a perder.''
O protocolo coíbe a emissão do dióxido de carbono e outros cinco gases que prendem o calor na atmosfera, afetando o delicado sistema climático da Terra.
Especialistas e políticos defendem que ele precisa ser encarado apenas como um primeiro passo. ''Hoje é dia de renovar nosso compromisso em combater o aquecimento global'', disse o ex-ministro japonês do Meio Ambiente Hiroshi Ohki, presidente da conferência de 1997. Joke Waller-Hunter, secretária-executiva da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática, lembra que o ''protocolo não é suficiente''.
O protocolo foi ratificado - isto é, tornado lei - por 141 nações. Juntas, elas respondem por 61,6% das emissões registradas em 1990. Se os EUA participassem, a soma chegaria a 97,7%.
Para o presidente George W. Bush, as regras do acordo prejudicariam a economia americana sem resolver o problema -especialmente pela falta de metas de redução para grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Retomar a conversa significa debater tais metas para 2013 (entre 2008 e 2012, só os países industrializados devem diminuir as emissões). Por enquanto, as nações em desenvolvimento não assumem a responsabilidade.
Um caminho alternativo parte da Grã-Bretanha. O premier Tony Blair, atual dirigente do G8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia), reforçou hoje que ''espera convencer o presidente Bush a participar do debate internacional de luta contra a mudança climática''. Ele também quer chamar Brasil, África do Sul, China e Índia para a próxima reunião de cúpula. A pauta será novas tecnologias limpas.
Apesar de não aceitarem o protocolo, os EUA são uma referência no assunto. Anteontem, o país anunciou o investimento em 2005 de US$ 5,8 bilhões em pesquisa sobre mudanças climáticas, tecnologia e incentivos fiscais para lutar contra o aquecimento global.
O secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, José Miguez, lembra que muito do conhecimento científico sobre mudança climática e da tecnologia para combatê-la tem origem nos EUA. ''Uma coisa é a posição política de Bush sobre o protocolo; outra é o que estão fazendo sobre mudança do clima'', diz. (Colaborou Herton Escobar)


