São Paulo- Três pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas quando milhares de manifestantes de oposição ao governo do Líbano bloquearam ruas e queimaram pneus em Beirute e outras cidades ontem, em uma greve geral que visa derrubar o premiê do país. Ao menos cem pessoas ficaram feridas, principalmente em Beirute e nas áreas cristãs, segundo fontes da segurança.
Colunas de fumaça eram vistas sobre várias regiões da capital durante o ato, inclusive na área do aeroporto internacional de Beirute.
Os protestos bloquearam o tráfego e causaram o fechamento do comércio em várias regiões. Soldados atiraram para o alto para deter a multidão, que atirava pedras. ''Esse governo só entende por meio da força, e o dia de hoje (ontem) é apenas uma pequena lição'', afirmou o manifestante Jamil Wahb, que estava em uma região xiita. ''Ficaremos nas ruas até que eles desistam''.
Na vila cristã de Halba, no norte do país, seis ativistas pró-governo ficaram feridos - um deles com gravidade, de acordo com as fontes da segurança. Em outro episódio, um homem armado atirou contra manifestantes na cidade cristã de Byblos, ferindo três pessoas antes de ser preso.
Dois manifestantes ficaram feridos em um tiroteio em Batroun. Um partidário da oposição levou um tiro na cabeça na cidade de Sofar, na região das montanhas.
A greve foi convocada pelo grupo extremista Hezbollah, que é apoiado pela Síria e pelo Irã, para forçar a renúncia do atual governo e a realização de eleições parlamentares antecipadas.
O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, e seus seguidores ignoraram o ato, com o apoio de associações bancárias e empresários.
O atual governo libanês é apoiado pelo líder sunita anti-sírio Saad al Hariri. Seus oponentes incluem membros dos grupos xiitas Hezbollah e Amal. Cristãos estão divididos dos dois lados.
Soldados e bombeiros se espalharam pelas ruas de Beirute, onde colunas de fumaça podiam ser vistas ao longe sobre ruas e rodovias, devido aos pneus queimados por opositores.
De acordo com testemunhas e com imagens de TV, os manifestantes bloquearam várias regiões de Beirute, assim como outras áreas em todo o país. No entanto, o prefeito de Beirute, Abdel Munim Ariss, falou à TV Al Arabiya que a cidade estava ''funcionando normalmente''.
Muitos trabalhadores preferiram permanecer em casa, por apoiarem a greve ou por medo da violência. Algumas escolas também suspenderam as aulas ontem. A greve ocorre dois dias antes de Siniora e sua equipe econômica irem a uma conferência em Paris para pedir a ajuda de doadores internacionais.
Segundo a oposição, os recursos - avaliados em cerca de US$ 5 bilhões - apenas aumentarão a dívida libanesa e enfraquecerão a economia, que foi gravemente prejudicada pela guerra entre o Hezbollah e Israel, em 2006.

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