A ‘‘Segunda Parte da VI Conferência das Partes da Convenção-Marco da ONU sobre Mudança Climática’’, iniciada na segunda-feira em Bonn, e que terá, a partir de amanhã, a presença de ministros de Meio Ambiente para a definição final, está sendo alvo de protestos, por parte de grupos ecológicos e de muitas críticas. Esta rodada multilateral de Bonn é o prolongamento da realizada em novembro passado, em Haia, e que terminou sem resultados.
Representantes de várias organizações não-governamentais criticaram os Governos da Austrália, Canadá e Japão por não atenderem aos desejos de seus cidadãos, que, segundo eles, demandam majoritariamente a aprovação do protocolo de Kyoto. ‘‘O que o Governo japonês está fazendo aqui é não representar os japoneses’’, declarou Kimiko Harata, da ONG japonesa Kiko Network, em coletiva de imprensa com representantes do Greenpeace, Amigos da Terra e do Fundo Mundial da Natureza (WWF). Todos eles concordaram em criticar a posição de quase ‘‘bloqueio’’ destes países, muito próxima à dos Estados Unidos, que já anunciaram que não ratificarão o protocolo de Kyoto (1997).
As modalidades de aplicação deste acordo, que estabelece uma redução global entre 2008 e 2012 das emissões de gases de efeito estufa em 5,2%, partindo dos níveis de 1990, estão sendo debatidas em Bonn por representantes de 180 países. Para que o tratado entre em vigor, pelo menos 55 países que representem 55% das emissões de gás de efeito estufa devem ratificá-lo. Segundo dados proporcionados pelas ONGs, 80% dos australianos são partidários de ratificar Kyoto sem os Estados Unidos, assim como 78% dos canadenses e 82% dos japoneses.
Kate Hampton, do Amigos da Terra, questionou por quanto tempo os Governos em questão ‘‘vão brincar com as expectativas das pessoas’’.
Por sua parte, Bill Hare, do Greenpeace, considerou que a atitude ambígua do Japão responde apenas à ‘‘conveniência política (...) porque é possível ratificar Kyoto sem Washington’’.

mockup