Protestos na Albânia continuam
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
France Presse 
LUSHNJA, Albânia - Cerca de mil albaneses voltaram a se manifestar contra o governo na manhã de ontem em Lushnja (100 km ao sul de Tirana), cuja Prefeitura havia sido incendiada em uma manifestação realizada sexta-feira.
Os manifestantes, a maioria arruinados por uma caderneta de poupança particular, se reuniram em frente à delegacia central da cidade e começaram a apedrejá-la, enquanto pediam aos gritos a renúncia do Presidente albanês, Sali Berisha, e do primeiro-ministro, Aleksander Meksi.
No protesto de sexta-feira, alguns manifestantes jogaram coquetéis molotov no primeiro andar da Prefeitura, causando um incêndio que destruiu parcialmente o edifício.
Vinte e nove policiais ficaram feridos e, segundo testemunhas oculares, cerca de trinta civis foram presos.
Banco Por outro lado, milhares de manifestantes enfurecidos apedrejaram ontem uma agência do banco estatal albanês, no segundo dia de protesto contra o governo, verificou a AFP.
Os manifestantes destruíram a agência depois de quebrarem os vidros da entrada. Com os documentos que pegaram dentro do estabelecimento fizeram uma fogueira na praça central da cidade.
Essas pessoas são vítimas da quebra da poupança Xhaferi, que prometia a seus clientes juros de mensais de até 100% e responsabilizam o governo pelo sistema de financiamento chamado piramidal (popular na Albania até ser proibido na última quinta-feira pelo parlamento) no qual novos depósitos reembolsam os antigos.
Centenas de manifestantes bloquearam a estrada nacional norte-sul que cruza a cidade. A polícia não interveio até as primeiras horas da tarde.
Ministro ferido O ministro das Relações Exteriores da Albania, Tritan Sehu levou uma pedrada na cabeça durante a manifestação contra o governo em Lushnja. O ferimento não é grave. O ministro tinha ido à cidade para tentar acalmar os manifestantes que atacaram um banco estatal, revoltados porque o dinheiro deles foi confiscado.


