Santiago - Tumultuada por fortes protestos anti-globalização, começou ontem na cidade de Santiago do Chile a reunião de cúpula de líderes dos países que integram o Fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (APEC). A cúpula, que contará ao longo do fim de semana com a presença de lideranças de peso mundial como o presidente dos EUA George W. Bush, o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Hu Jintao, debate sobre a nova arquitetura financeira mundial, o comércio eletrônico, além do combate ao terrorismo internacional.
Os líderes reunidos que representam 21 países cujas economias são responsáveis por 60% do PIB do planeta definem em Santiago o roteiro para a abertura comercial de um bloco que engloba 2,42 bilhões de pessoas. Além disso, deverão assinar hoje um documento no qual pedem à Organização Mundial do Comércio (OMC) que conclua os objetivos da Rodada de negociações de Doha.
Os integrantes da APEC são a Austrália, Brunei, Canadá, Coréia do Sul, Chile, China, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã. Os 27 hotéis de cinco e quatro estrelas da cidade estão repletos. Os restaurantes mais elegantes não possuem mais lugares para reservar.
A segurança da cidade foi reforçada com cinco mil ''carabineros'', denominação da polícia chilena, famosa por seu lema ''Ordem e Pátria'', sua fama de severidade e incorruptibilidade. Outros mil carabineros estão em prontidão para serem colocados nas ruas a qualquer momento. Isso significa que existem 12 participantes da APEC para cada 10 carabineros.
A capital chilena é uma cidade em virtual estado de cerco até o fim deste domingo. Para esvaziar a cidade, o governo declarou feriado na sexta-feira. Além disso, o espaço aéreo de Santiago também está sob forte vigilância. Os aviões de carreira que voarem para a capital chilena terão que entrar em corredores pré-determinados pela Força Aérea e serão vigiados rigorosamente por caças e helicópteros. Esta medida foi tomada após os alertas da CIA ao governo do presidente Ricardo Lagos sobre a possibilidade de um ataque terrorista com um avião durante a cúpula.
O presidente Bush (que os chilenos costumam pronunciar ''Bútch''), que realiza sua primeira viagem internacional após sua reeleição, é o principal alvo dos grupos anti-globalização, que ontem ao longo da Avenida Bernando O'Higgings, em pleno centro de Santiago entraram em violentos choques com os ''carabineros''.
Chamando o presidente americano de ''assassino'', 30 mil manifestantes pediram o fim da reunião da APEC. A manifestação transcorreu pacificamente na maior parte do tempo. No entanto, a marcha organizada pelo Fórum Social Chileno, que reuniu 30 mil manifestantes, terminou em pancadaria no fim de seu trajeto. Os ''guanacos'' - os carros blindados dos carabiberos - responderam com jatos d'água e gás lacrimogênio.
Os protestos, embora criassem um clima de tensão, não impediram o desenvolvimento dos encontros da APEC, que estão sendo realizados longe do centro, no complexo de convenções de Casa Piedra.

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