Protestos gigantes pela morte de Renne Good continuam nos EUA
Depois de um agente do ICE matar uma mulher de 37 anos, multidões tomam as ruas de várias cidades em oposição a Donald Trump
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 2026
Depois de um agente do ICE matar uma mulher de 37 anos, multidões tomam as ruas de várias cidades em oposição a Donald Trump
France Presse 

Milhares de manifestantes voltaram às ruas dos Estados Unidos no sábado (10) para protestar contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), que causou indignação na população depois que uma mulher de 37 anos foi morta por um de seus agentes durante uma batida contra imigrantes irregulares em Minneapolis.
Na cidade do norte do país, os manifestantes carregaram cartazes e entoaram o nome da vítima, Renee Nicole Good, desafiando o frio de 7 graus negativos durante uma concentração em um parque próximo do lugar da tragédia.
A mobilização teve como lema "ICE, fora para sempre", que em inglês faz um jogo de palavras com o sobrenome da vítima. Os protestos são promovidos sobretudo pelo movimento "No Kings", uma rede de organizações de esquerda que se opõem a Donald Trump e repudiam sua política anti-imigração.
No início da manifestação, uma pessoa gritou: "digam o nome dela!" E a multidão respondeu: "Renee Good!" Mais protestos aconteceram no domingo.
"Estão tirando os nossos direitos e estamos nos transformando em uma ditadura autoritária", disse Drew Lenzmeier, de 30 anos, no protesto em Minneapolis.
"Ninguém está pondo freio ao governo Trump, que agora está assassinando cidadãos e roubando, sequestrando seres humanos. É hora de deter isso", acrescentou.
MOBILIZAÇÃO GERAL
Na Filadélfia, os manifestantes marcharam sob chuva da prefeitura até os escritórios do ICE. Também foram registradas mobilizações em Nova York e Washington.
Bill Torcaso se uniu a uma concentração em Boston. "O único princípio que nos une é a igualdade perante a lei. É no que acredito mais profundamente, e é precisamente o que acredito que Trump viola constantemente. É inaceitável", disse.
Os organizadores informaram que mais de 1.000 eventos estavam programados em todo o país.
A morte de Renee Good, uma cidadã americana, poetisa e mãe de família, durante uma operação contra imigrantes na quarta-feira, provocou fortes reações, não apenas nessa cidade, reduto democrata, mas também entre a população preocupada com a política anti-imigração impulsionada por Trump.
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'MISSÃO DE CONTROLE'
Na manhã de sábado, três legisladoras democratas do estado de Minnesota na Câmara dos Representantes se dirigiram a um edifício federal nas imediações de Minneapolis onde operam agentes de imigração, entre elas Ilhan Omar, figura da esquerda americana de origem somali.
Mas, pouco depois de sua entrada, foi pedido que deixassem o local, segundo contaram. "O que aconteceu hoje é uma tentativa flagrante de impedir que membros do Congresso exerçam sua missão de controle", lamentou Ilhan Omar.
O governo sustenta que o agente agiu em legítima defesa. Segundo a versão da administração, Renee Good tentou atropelar o agente envolvido, Jonathan Ross, e foi classificada como "terrorista doméstica".
Em um vídeo gravado pelo celular do agente, Renee aparece ao volante lhe dizendo: "Não estou com raiva do senhor". Quando Ross passa em frente ao veículo, ouve-se outro oficial ordenar que saia do carro, antes de ela tentar fugir. Em seguida, são ouvidos disparos. No final da gravação, é possível ouvir o autor dos disparos e da gravação dizer: "maldita cadela."
A Casa Branca insiste em que as imagens reforçam o argumento de legítima defesa. Mas, desde a quarta-feira, circularam vídeos feitos por testemunhas que sugerem que o agente não estaria em perigo e mostram Renee Good tentando evitá-lo.
Na noite de sexta-feira, centenas de pessoas realizaram manifestações diante de hotéis em Minneapolis, onde se acredita que agentes do ICE estejam hospedados. Vinte e nove pessoas foram detidas, multadas e depois rapidamente liberadas, indicou a polícia da cidade.
Funcionários e residentes do estado de Minnesota questionam o fato de as autoridades locais terem sido excluídas da investigação do FBI sobre a morte de Renee Good.
De acordo com o The Trace, um veículo especializado em violência armada, Renee é a quarta pessoa morta por agentes de imigração desde que Trump lançou sua política de deportação.
SECRETÁRIA ACUSA DEMOCRATAS
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, acusou neste domingo (11) políticos democratas de promover a violência contra agentes de imigração, em meio aos protestos pela morte de uma mulher baleada por um desses agentes em Minneapolis.
Desde a quarta-feira, quando ocorreu o incidente, há manifestações em todo o país pela morte de Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos. Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) atirou nela durante uma operação.
Noem insistiu na narrativa da Casa Branca de que Good era "uma terrorista doméstica" e que o agente agiu em legítima defesa.
"Os fatos da situação são que o veículo foi usado como arma e atacou o agente. Ele se defendeu e defendeu as pessoas ao seu redor [...] Isso é um ato de terrorismo doméstico", reiterou Noem em entrevista à CNN.
Ela também criticou o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey: "Eles incentivaram a destruição e a violência que vimos em Minneapolis nos últimos dias."
Os dois democratas questionaram a postura do governo federal. Frey criticou o fato de as autoridades locais terem sido excluídas da investigação conduzida pelo FBI.
"A investigação deve ser neutra e imparcial, com verificação dos fatos", disse Frey à CNN.
"Claro que é preciso fazer cumprir as leis, mas também existe a obrigação de aplicá-las e conduzir o trabalho de fiscalização de forma constitucional", acrescentou.




