Protestos em Bagdá contra ocupação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de abril de 2003
Beatriz Lecumberri<br>France Presse 
Bagdá ''Abaixo Bush!'', ''Não à ocupação!'', ''Americanos, voltem para casa!'': muitos cidadãos de Bagdá trocaram as flores e os gritos de apoio aos soldados americanos por protestos motivados pela ausência de resultados da guerra, a falta de eletricidade e os saques na capital.
''Go home!'', gritam os quatro ocupantes de um automóvel ao passarem em frente a uma patrulha de soldados americanos na rua Karrada Dakhel, ao meio-dia de de ontem. A reação dos militares não se fez esperar. Os quatro jovens estudantes foram retirados do automóvel à força e lançados ao chão com empurrões: o rosto contra o asfalto e as mãos atadas às costas. Os insultos dos soldados, que revistaram o automóvel em busca de armas e explosivos, sobem de tom, as pessoas se agrupam em torno sem saber o que fazer e graças à intervenção de alguns iraquianos que falam inglês, os jovens são libertados e obrigados a caminhar rapidamente.
''Eu os odeio, juro que vou matá-los ! Qualquer dia colocarei um cinto com explosivos!'', grita Nebrás, um dos ocupantes do pequeno automóvel, depois do incidente.
Todos os dias, estes estudantes, cerca de 20, vão protestar ''contra a ocupação'' em frente ao hotel Palestina, onde se concentram os marines americanos.
''Ocuparam nosso país, mataram nosso povo e em troca o que vão nos dar? Nada! O Iraque está acabado'', asseguram.
A poucos metros do lugar deste incidente, no hotel Palestina, as manifestações se multiplicam: professores universitários, médicos, advogados e simples cidadãos vão para as ruas todos os dias para protestar contra a guerra e contra os ''planos ocultos'' de Bush para o Iraque.
''Não temos medo de que disparem contra nós. O que estamos fazendo é o correto. Este é o nosso país e só Deus nos julgará'', diz Yasir, engenheiro, de 40 anos, que segura um cartaz com a frase ''Sim à liberdade, Sim ao Iraque, não à ocupação''.
Aos gritos de ''Down, Bush, Down!'' (Abaixo Bush), os nervos dos marines, alguns deles jovens de menos de 20 anos, cansados e aterrorizados, se crispam. Em poucos minutos, o hotel é isolado e a entrada é proibida até para os jornalistas que moram no lugar.
O medo de atentados suicidas por parte de um povo que a cada dia tem menos a perder aumenta, afirmam os soldados, que multiplicam as vistorias em automóveis, propriedades e pessoas de qualquer idade e nacionalidade.
''O hotel Palestina, repleto de marines e da imprensa estrangeira, é o lugar perfeito. Deveriam ter cuidado'', afirma Saher, ex-empregado do ministério da Informação.


