Paris A França funcionava ontem em câmera lenta com os transportes públicos de passageiros tremendamente afetados pela greve convocada pelos sindicatos contra a reforma no sistema de previdência proposta pelo Governo francês.
Enormes engarrafamentos nos acessos das grandes cidades surgiram desde as primeiras horas do dia, enquanto os trens, metrôs e ônibus funcionavam a um ritmo reduzido em cerca de cinquenta cidades do país.
Em torno de 80 por cento dos vôos que partem e chegam aos aeroportos franceses foram cancelados por causa da greve dos controladores aéreos, mas a Air France informou que garante a totalidade de seus vôos de longa distância.
Nenhum dos jornais parisienses circulou ontem e apenas alguns diários regionais estavam nas bancas.
Cinco sindicatos, liderados pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), pedem ao primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin (de direita) a reabertura das negociações sobre o projeto de reforma das aposentadorias que deve ser apresentado no próximo dia 10 ao Parlamento.
Este projeto, que teve a aceitação de alguns sindicatos, estabelece em particular a prorrogação do período de contribuição para a previdência social, à medida em que o número de pessoas que contribuem será reduzido e o daqueles que têm direito à aposentadoria aumentará, devido ao envelhecimento geral da população.
Ao mesmo tempo, os sindicatos da educação nacional também convocaram uma paralisação, a décima desde que começou o período letivo francês em setembro passado, para se unir a essa mobilização da CGT e para protestar contra o projeto do Governo que dá maior autonomia às regiões na área do ensino.
A ordem de mobilização sindical envolve também os setores da energia, correios, bancos e rodovias, entre outros.
Para Bernard Thibault, secretário-geral da CGT, ''foi o Governo que optou por fazer da questão das aposentadorias a prova de sua capacidade de dirigir o país''.

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