Caracas - Saques generalizados foram registrados ontem nas zonas oeste e sudoeste de Caracas, horas depois que o deposto presidente Hugo Chávez reassumiu o poder, segundo um administrador local.
Freddy Bernal, administrador do bairro Libertador, que se estende do centro à populosa zona oeste da capital, informou que, segundo um relatório da polícia municipal, a situação é de ‘‘saques generalizados’’ nos bairros de Sucre, Caricuao (sudoeste) e outros lugares’’ de Caracas.
Fontes independentes reportam saques em Catia (zona oeste), Antímano e La Yaguara (sudoeste), sem informar sobre possíveis vítimas, nem quantificar os prejuízos.
Um total de 41 mortos e 323 feridos é o saldo dos distúrbios registrados desde quinta-feira em Caracas, quando o presidente Hugo Chávez foi derrubado, até o meio-dia de ontem, horas depois que o mesmo Chávez voltou ao poder, informou à AFP ontem o corpo de bombeiros da capital venezuelana.
A maioria das vítimas foi baleada, assegurou José Arévalo, inspetor do corpo de bombeiros, acrescentando que os saques ‘‘ainda continuam’’ em alguns pontos de Caracas.
Foram sufocados 45 incêndios em comércios e indústrias.
Certamente haverá ‘‘mais vítimas porque ainda não há agentes da segurança nas ruas’’ da capital, denunciou o bombeiro.
Até sábado à tarde essa mesma fonte informava que eram 15 mortos e 350 feridos.
Apelo O comandante geral da Guarda Nacional da Venezuela, Francisco Belisario, pediu ontem a colaboração da população no combate aos saques feitos às lojas da região oeste da capital venezuelana.
Moradores da região informaram à EFE que os saques, iniciados ainda ontem, se estenderam por toda a noite e aumentaram devido ao fracasso da rebelião cívico-militar e à volta do presidente Hugo Chávez ao poder.
O prefeito do município Libertador, Freddy Bernal, também pediu aos cidadãos que interrompam os saques nesta região de Caracas, onde se concentram boa parte das classes pobres e marginalizadas da cidade.
O prefeito disse que aqueles que conspiraram contra o governo eleito de forma democrática deverão responder por seus atos nos tribunais. Bernal também pediu à população que ‘‘não faça justiça com as próprias mãos’’.
O deputado Francisco Solórzano, do Movimento V República (MVR), partido ao qual petence o presidente Hugo Chávez, declarou que o fato de as lojas saqueadas terem participado da greve contra Chávez, promovida pelo empresariado e pelos sindicatos durante a semana passada, não justifica a sua destruição.
Com exceção da região oeste, o restante da cidade se encontra tranquila, com poucos carros e pessoas nas ruas. Apenas os sinais dos saques ocorridos nos dias anteriores, durante o vazio de poder provocado pela rebelião contra Chávez, podem ser vistos.
Bernal também disse que, na tentativa de prendê-lo, sua casa foi ‘‘revirada’’ pelos agentes enviados pelo governo de Pedro Carmona, que substituiu Chávez na Presidência.
‘‘O que esses loucos fizeram em apenas 24 horas jamais poderá voltar a acontecer’’, declarou o prefeito, ao se referir às inúmeras violações aos direitos humanos denunciadas contra forças que identificaram com os participantes da rebelião.

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