Protestos contra charges matam mais quatro pessoas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de fevereiro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Em novos protestos contra a publicação na Dinamarca de charges sobre o profeta Maomé, quatro pessoas foram mortas ontem por policiais ou militares da Otan que protegiam a base de Maymana, no norte do Afeganistão. Na segunda-feira, protestos semelhantes em Cabul já haviam provocado outras quatro mortes.
O primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, disse em Copenhague que os protestos já provocavam uma ''crise global''. Ele voltou a lançar um apelo pela calma, pelo diálogo e pela tolerância mútua.
Com os incidentes de ontem, sobem para nove os mortos no Afeganistão.
A onda de protestos tem como razão a publicação, em setembro, de charges no jornal dinamarquês ''Jyllands-Posten''. Os primeiros atos ocorreram em 26 de janeiro na Arábia Saudita, em que manifestantes pediam o boicote a produtos da Dinamarca.
Rasmussen reiterou que a liberdade de imprensa em seu país impede que o governo controle conteúdos veiculados pela mídia e que por isso não pode se desculpar publicamente por eles.
O presidente George W. Bush telefonou ao premiê dinamarquês para exprimir ''apoio e solidariedade''. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, os dois governantes concordaram com o fato de a crise precisar ser superada por meio do diálogo, e não pela violência.
Ontem o governo dinamarquês aconselhou seus cidadãos a deixar a Indonésia, onde bandeiras dinamarquesas foram queimadas em três cidades e a embaixada recebeu ameaças.
Apelos por moderação têm sido lançados pela mídia árabe.
A União Européia redigiu uma advertência a 19 países do Oriente Médio, salientando que eles são obrigados pelo Tratado de Viena a proteger instalações diplomáticas. A reação se deve a atos de vandalismo contra as embaixadas dinamarquesas na Síria e no Líbano.


