La Paz - O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, se encontrava novamente ontem sob a pressão de protestos sociais que paralisaram parcialmente as principais cidades do país, enquanto que organizações católicas e de direitos humanos exortaram as diferentes partes ao diálogo.
As poderosas corporações de motoristas e comerciantes, que uniram suas forças para pressionar o governo, ameaçaram ''radicalizar'' as medidas de protesto, segundo o dirigente do transporte, Angel Villacorta.
Ambos os sindicatos organizaram uma manifestação para pedir a supressão de intermediários privados para a venda de combustíveis, e em oposição a um pequeno aumento dos preços.
Um dos líderes da manifestação, o dirigente da Central Operária Boliviana Jaime Solares, pediu a renúncia do presidente por causa de sua decisão de exportar gás à Argentina, imersa numa crise energética, antes de um referendo popular sobre o destino dos hidrocarbonetos bolivianos previsto para o dia 18 de julho.
Mesa está atualmente em visita oficial na Argentina. As organizações sociais estão opostas à exportação de gás sob condições que consideram contrárias aos interesses do país, e preconizam um aumento dos impostos para os consórcios estrangeiros que controlam os hidrocarbonetos.
O líder dos comerciantes, Francisco Figueroa, lamentou a assinatura de um acordo de venda de gás à Argentina a ''um preço ridículo de menos de um dólar'' o milhão de BTU (unidades térmicas britânicas), uma soma inferior à que paga o Brasil (1,60 dólares o milhão de BTU).
Por outro lado, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei provisório proposto pelo Movimento Ao Socialismo (MAS), do líder 'cocalero' Evo Morales, que devolve ao Estado o controle dos combustíveis e derroga a atual legislação, considerada pelos sindicatos contrária aos interesses nacionais.

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