A visita de nove horas que o presidente Bill Clinton e uma delegação de 11 congressistas norte-americanos fizeram ontem ao histórico porto colombiano de Cartagena para sublinhar o apoio dos EUA ao presidente Andrés Pastrana e a seu plano de combate ao narcotráfico produziu várias imagens simbólicas do conflito que o maior envolvimento de Washington no drama nacional colombiano provoca entre os habitantes do país.
A visita do presidente Bill Clinton provocou protestos populares e coincidiu com ataques guerrilheiros e tumultos em sete das 32 províncicas da Colômbia, em que morreram pelo menos sete civis, entre eles um bebê de meses e um ancião de 87 anos.
Viajando num cortejo precedido por um caminhão antiexplosivos e protegido por um esquema que envolveu 5 mil soldados e policiais e 350 agentes do serviço secreto dos Estados Unidos, Clinton foi saudado por milhares de pessoas que abanavam lenços e camisetas brancas e faziam gestos de saudação e agradecimento pela ajuda de US$ 1,3 bilhão.
O plano de combate ao narcotráfico pretende colocar na defensiva 22 mil guerrilheiros que protegem e se beneficiam do tráfico nas vastas áreas de território que controlam e forçá-los a negociar um acordo de paz, já proposto por Pastrana.
Anteontem, a polícia colombiana descobriu e desativou uma bomba plantada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior dos três grupos rebeldes em operação, nas próximidades de um dos trajetos da comitiva do líder americano. Ivan Rios, líder das Farc, prometeu resistir ‘‘à agressão dos EUA’’.
Em Bogotá, outros milhares de colombianos, estudantes e trabalhadores marcaram a visita de Clinton com uma marcha de protesto até a Embaixada norte-americana. Um policial morreu durante as manifestações.
Aos gritos de ‘‘Yankee, go home’’ e ‘‘Imperialismo, Fora da Colômbia’’, atiram pedras na direção do prédio da Embaixada antes de queimar uma bandeira dos EUA e efígies de papelão de Clinton e Pastrana. ‘‘Não permitiremos que nenhum país venha aqui e traga balas para que colombianos matem colombianos’’, disse o sindicalista Wilson Borja, também membro do Partido Comunista
‘‘A democracia colombiana está sob ataque’’, disse Clinton numa mensagem transmitida por uma rede nacional de televisão da Colombia na véspera de sua visita. ‘‘Os lucros do comércio de drogas, um conflito civil, forças poderosas fazem suas próprias leis e vocês enfrentam perigo todos os dias.’’
Na manhã de ontem, Clinton inspecionou instalações de interdição de drogas e de combate aos narcotraficantes. Depois de uma reunião de trabalho e de um almoço com Pastrana, o presidente visitaria uma das 20 Casas de Justicia, tribunais de pequenas causas construídos com a ajuda da agência dos EUA para o desenvolvimento internacional, a Usaid, com o objetivo de melhorar o acesso dos colombianos de baixa renda à justiça, que é essencialmente uma ficção num país onde as instituições estão em ruínas e a lei que vale é a vontade de três forças igualmente destrutivas - o narcotráfico, forças paramilitares próximas do exército e da polícia e movimentos guerrilheiros.
Mesmo entre os que apóiam a idéia da ajuda norte-americana a um governo amigo e democraticamente eleito que enfrenta uma situação desesperada, há fortes críticas sobre a ênfase demasiada do pacote no aspecto militar e a ausência de um compromisso real da classe dirigente colombiana com o chamado Plano Colômbia.

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