France PresseHistóriaA última campanha eleitoral, em Hong Kong. Para os chineses, é um tipo de atividade excessivamente democráticaOntem, o dia em Hong Kong foi de protestos, por salários atrasados e pela liberdade de expressão. As manifestações foram pequenas, sob um sol de mais de 30 graus. Faltam seis dias para a devolução de Hong Kong à China.
Mais de 50 operários foram ao Centro de Convenções e Exibições pedir o pagamento das horas extras que trabalharam para concluir o edifício antes de 30 de junho. Ali quatro mil convidados testemunharão a entrega da última colônia britânica na Ásia.
‘‘Quero meu dinheiro para fazer a minha festa e celebrar a reunificação’’, reclamava Koon Chung. ‘‘Ajudei a preparar a festa deles, também quero me divertir.’’
Cerca de 200 operários disseram que não receberam o pagamento integral das horas extras de abril e maio, segundo a Confederação dos Sindicatos de Hong Kong. Eles foram contratados por uma empresa privada, que participa da construção, para ajudar da decoração do prédio.
O edifício, três vezes maior que a ópera de Sydney, tem 38.106 m2. Foi construído em 39 meses. É belíssimo. Repousa em mais um pedaço do mar roubado por Hong Kong.
Do outro lado cidade, ativistas democratas protestaram por uma causa mais abstrata. Com esparadrapos na boca, mostraram seu repúdio às ameaças do futuro conselho legislativo de Hong Kong de aprovar leis que cerceiem a liberdade de expressão.
Para a China continental, o dia trouxe uma pequena vitória. A Inglaterra e os Estados Unidos informaram que mandarão seus cônsules no território à cerimônia de posse do novo parlamento. Seus membros, apontados indiretamente por Pequim, substituirão, após a transferência, a atual legislatura - eleita em 95 sob uma fórmula britânica que os chineses consideraram democrática demais.
A futura administração instituiu ainda uma condecoração 100% de Hong Kong: a Grande Bauhinia, que tem como tema o novo símbolo do território. Ela será concedida após a transferência. Premiará um cidadão que tenha prestado relevantes serviços à comunidade e incentivado o amor à China.
Pelos requisitos, o operário Chung poderia ser contemplado. Trabalhou mais de 10 horas por dia na construção do edifício que será palco da grande festa chinesa. Mas, depois da manifestação de ontem, acha que suas chances, de mínimas, passaram a nulas. ‘‘Eles não gostam de quem reclama.’’

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