Protestos ameaçam a Bolívia
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quinta-feira, 05 de abril de 2001
Associated Press De La Paz 
O presidente boliviano Hugo Banzer afirmou, ontem, que, para controlar os protestos sociais que ameaçam ampliar-se nos próximos dias, seu governo está disposto a se valer das Forças Armadas. Banzer, depois de uma reunião com o alto comando militar, assinalou que se a polícia for desrespeitada durante as manifestações, ele ordenará aos militares que saiam às ruas para enfrentar os rebeldes.
No entanto, o ministro do governo, Guillermo Fortún, assegurou em entrevista à imprensa que as Forças Armadas não serão convocadas. Fortún disse que o governo não descarta a possibilidade de os protestos sociais, convocados por produtores de coca sob a influência de seu líder máximo, Evo Morales, que exige o fim do programa de erradicação das plantações de coca , camponeses, professores, operários e organizações cívicas chegarem aos extremos ocorridos no ano passado. Naquela oportunidade, houve choques em que morreram mais de 20 pessoas e 150 ficaram feridas, com a situação atingindo proporções quase que incontroláveis.
Ontem, as ruas centrais da capital, La Paz, e das cidades de Tarija e Santa Cruz foram tomadas por funcionários do setor de saúde, professores e operários que reivindicam diferentes providências do governo em relação a seus setores. O temor das autoridades é que a continuação desses protestos, conforme já antecipado por algumas entidades, possa levar à repetição dos eventos ocorridos em 2000.
O maior temor é o de que a convocação das Forças Armadas para conter as manifestações possa levar a um agravamento nas relações sociais no país. Assessores do presidente Banzer entendem que o mais adequado seria um esforço visando entendimentos que pudessem evitar a continuação dos protestos.


