Protestos agitam a América Latina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de agosto de 2001
France Presse<BR>De Buenos Aires 
Vários grupos de desempregados, militantes políticos e sociais, professores, estudantes e servidores se concentraram na manhã de ontem na capital federal e Grande Buenos Aires como preparativo para a passeata da tarde, até a Praça de Maio (em frente ao Palácio do Governo), num protesto contra o ajuste, com 48 horas de duração.
Há bloqueios em vários pontos do interior do país em protesto contra os cortes no setor público, que inclui redução de 13% nos salários dos servidores e aposentados como pontapé inicial da Lei de Déficit Zero.
A passeata de ontem fez parte uma série de paralisações convocadas pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), com apoio dos principais sindicatos de servidores e professores do país.
A capital federal e Grande Buenos Aires apresentava ontem pela manhã um movimento inferior ao de um dia normal, devido à paralisação nas escolas públicas, ainda que alguns estabelecimentos particulares estivessem funcionando.
Os piquetes realizados desde terça-feira nas ruas fizeram com que muitos motoristas desistissem de usar seus carros. O número de estudantes universitários que se juntaram ao movimento aumentava a cada hora, acompanhado pela adesão dos desempregados aos protestos na região do Bairro Norte.
Convocamos esta paralisação devido à grave situação social e da educação nas províncias argentinas, com atrasos salariais, cortes, congelamento de benefícios por tempo de serviço, pagamento em bônus e a crescente deterioração da educação, explicou à imprensa Marta Maffei, presidente do sindicato CTERA, que reúne os docentes da educação básica, primária e superior de todo o país do sistema público estatal.
Os trabalhadores da Frente dos Sindicatos dos Servidores rasgaram terça-feira seus contracheques no Palácio do Governo e em vários ministérios em protesto contra o plano de ajuste com um corte de 13%.
O recibaço, como foi apelidado, aconteceu na entrada dos prédios do Ministério da Economia, Saúde e Defesa, além do pátio interno do governo.
Ao avaliar a primeira etapa do protesto, o ministro do Interior, Ramón Mestre, se disse satisfeito porque, salientou, foi respeitado o direito de quem desejou trabalhar e se movimentar.


