Jerusalém - Os opositores à retirada das colônias da Faixa de Gaza convocaram uma gigantesca manifestação para a noite de ontem em Tel Aviv, a menos de uma semana da retirada programada deste território. O Conselho de Assentamentos de Judéia Samaria (Cisjordânia) e da Faixa de Gaza (Yesha) reuniu mais de 100 mil pessoas para um protesto na praça Yitzhak Rabin, diante da prefeitura.
A manifestação tinha como lema ''Juramos fidelidade às colônias'' de Gush Katif da Faixa de Gaza e outras quatro do norte da Cisjordânia, que devem ser esvaziadas em setembro. Esta manifestação pretendia ser a mais importante contra a retirada, depois de uma série atos que reuniram milhares de pessoas, mas que não produziram efeito.
Mais de 50 mil judeus se reuniram na noite de quarta-feira na cidade antiga de Jerusalém para participar de uma oração coletiva no Muro das Lamentações contra a retirada da Faixa de Gaza.
Três ex-Grandes Rabinos de Israel também convocaram a participação na oração: Avraham Shapira, considerado o guia espiritual da direita nacionalista, assim como Mordejai Eliyahu e Ovadia Yossef, respectivamente fundador e dirigente do Shass, o mais importante partido ultraortodoxo (11 deputados).
O Muro das Lamentações é o último vestígio do templo judeu de Herodes destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã. Este local deve ser no próximo domingo, 9 do mês de Ab, dia do aniversário da destruição do templo judaico segundo o calendário hebraico, cenário de outra importante concentração nacionalista e religiosa.
Por outro lado, os colonos de Netzarim estão construindo casas às vésperas da retirada. Yoshua Meshulami, 70 anos, constrói há um mês uma casa para o filho em Netzarim, colônia na Faixa de Gaza onde 100% dos 450 habitantes não se preparam para deixar a área, e sim para ficar e continuar a viver na região.''Nada mudou para nós. Estamos nos preparando para ficar: construímos casas, plantamos tomates, consertamos os telhados e instalamos aparelhos de ar-condicionado em nossos lares'', diz um sorridente Meshulami.
Os habitantes de Netzarim, uma das implantações mais radicais entre as 21 da Faixa de Gaza, esforçavam-se ontem para manter a rotina, apesar de que, no próximo domingo, soldados baterão às suas portas para pedir que deixem o local. ''Seguimos em frente. Pretendo ficar aqui até a grande festa com a qual iremos comemorar nossa vitória'', afirma o argentino Dan Safdie, 21, que trocou Buenos Aires pelo norte de Israel há 10 anos.
Acompanhado de outros pedreiros israelenses, ele veio a Netzarim para ajudar a família Meshulami a construir sua nova casa. ''Agora é diferente. São nossos próprios irmãos que nos ameaçam'', diz. O posto militar da colônia começou ontem a retirar documentos e móveis da região, numa tentativa de convencer os vizinhos a fazer o mesmo.

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