Milhares de egípcios ocuparam nesta sexta-feira a praça Tahrir, no centro do Cairo, exigindo pelo 11º dia consecutivo a saída do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

Portando bandeiras e cantando hinos patrióticos, os manifestantes batizaram o evento de "dia da partida".

Eles receberam uma visita de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe, organização que agrega 22 países do Oriente Médio e norte da África.

Moussa disse que cogita assumir um cargo em um eventual governo de transição e pode se candidatar à Presidência caso Mubarak deixe o posto.

O ministro egípcio da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, também foi à praça, onde conversou com manifestantes e soldados.

Outros milhares de manifestantes contrários ao governo se reuniram em frente à maior mesquita de Alexandria, segunda cidade mais populosa do Egito.

Um correspondente da BBC diz que soldados e tanques ocupam posições estratégicas na cidade e que manifestantes espancaram um policial à paisana, que foi posto em um carro e levado embora.

Na quinta-feira, um dos maiores shoppings de Alexandria foi saqueado.

A ONU estima que mais de 300 pessoas já tenham morrido desde o início das manifestações no Egito, no dia 25 de janeiro.

União Europeia

Também nesta sexta-feira, a União Europeia afirmou que a transição no governo egípcio deve começar imediatamente.

"O Conselho Europeu está acompanhando com grande preocupação a piora na situação do Egito", disse um comunicado assinado por 27 líderes do bloco.

"Todos os partidos devem se moderar, evitar violência e começar uma transição ordeira para um governo de base ampla".

No comunicado, o bloco também condenou agressões e intimidações a jornalistas que atuam no Egito.

Protestos

Após as orações de sexta-feira, que ocorreram de forma pacífica, a multidão começou a gritar palavras de ordem pedindo a saída de Mubarak.

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Na véspera, Mubarak concedeu sua primeira entrevista desde que os protestos começaram.

Falando à rede americana ABC, Mubarak disse que gostaria de renunciar imediatamente, se disse "cansado" de estar no poder, mas afirmou que sua renúncia mergulharia o Egito no caos.

O presidente afirmou que o principal grupo de oposição islâmica do país - a Irmandade Muçulmana - preencheria o vácuo de poder deixado por sua ausência.

Mubarak afirmou ainda que ficou abalado com os protestos violentos no centro do Cairo. "Fiquei muito decepcionado com os eventos de ontem (quarta-feira). Não quero ver egípcios brigando uns com os outros."

O governo dos Estados Unidos diz ter iniciado diálogo com lideranças políticas do Egito sobre planos de uma transição imediata de poder no país, segundo o jornal The New York Times. Uma das opções consideradas seria Mubarak ceder o cargo para um conselho constitucional formado por três pessoas.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Mark Mardell, autoridades americanas não negam esta possibilidade, mas deixam claro que diferentes alternativas estão sendo consideradas, e que qualquer decisão deve ser tomada pelo povo egípcio.

Horas antes, enquanto os confrontos entre manifestantes pró e contra o governo do Egito tomavam conta do centro do Cairo, o novo vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse que convidou a Irmandade Muçulmana para dialogar.

Entretanto, segundo disse Suleiman em entrevista à TV estatal egípcia, os membros do grupo estariam "hesitantes" em relação ao convite.

A Irmandade Muçulmana, o maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, é oficialmente proibida, mas tolerada pelo governo, e seus integrantes concorrem em eleições como candidatos independentes.

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