A praia de Ipanema, no Rio, foi palco de um protesto que reuniu cerca de 2.000 pessoas ontem contra a visita ao país do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Manifestantes também querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explique as razões da vinda da Ahmadinejad.
Membros das comunidades judaica e árabe, ativistas religiosos e lideranças de movimentos homossexuais, entre outros participantes, protestaram contra a recepção ao presidente do Irã, que chegará hoje a Brasília.
A manifestação durou cerca de duas horas. Apitos, panfletos e instrumentos de percussão foram usados pelos participantes no protesto contra Ahmadinejad. O povo iraniano, contudo, foi lembrado no ato com um minuto de silêncio em protesto às restrições de liberdades civis impostas naquele país.
Além da marcha no Rio, também haverá manifestações contra Ahmadinejad em Brasília, em frente ao Itamaraty, e em algumas outras cidades do país.
Ahmadinejad chegará ao Brasil acompanhado de uma delegação de 200 empresários e se reunirá com Lula para tentar conseguir apoio ao polêmico programa nuclear iraniano. O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a contestada reeleição de Ahmadinejad, e Lula defende o direito de uso da energia nuclear sem fins militares no Irã.
Lula diz que pedirá paz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que repetirá ao líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad o mesmo discurso pela construção da paz que teve neste mês com o presidente de Israel, Shimon Peres, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Lula destacou, no entanto, que no momento é preciso identificar e isolar quem são os que rejeitam a paz no Oriente Médio.
''Vou conversar a mesma coisa, conversei de paz com o presidente Shimon Peres, com o Mahmoud Abbas e vou conversar com o Ahmadinejad'', afirmou o presidente. ''Como conhecemos todos os problemas, temos agora uma coisa para resolver: nós temos que saber quem quer a paz no Oriente Médio. Ou seja, o povo quer a paz, e alguns governantes querem a paz; o que nós precisamos detectar agora é quem não quer a paz, a quem interessa que não haja paz no Oriente Médio. Alguém está ganhando com isso'', acrescentou.
Lula também afirmou que é preciso mudar a cultura de que os Estados Unidos são os únicos responsáveis pelas negociações de paz no Oriente Médio.
''É importante que as grandes potências, como os Estados Unidos, também tenham ação mais positiva e construtiva'', afirmou. ''Se a gente conseguir fazer que a paz no Oriente Médio não seja uma primazia dos Estados Unidos ou de outro país, mas que seja uma decisão da ONU e que com base nisso todos os países do mundo trabalhem para construir a paz, nós estaremos tranquilos.''

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