Protesto fecha igrejas na Terra Santa
Associated Press
e Ansa
De Nazaré
As portas de todas as igrejas da Terra Santa foram fechadas ontem, marcando o clímax de uma disputa que envenenou as relações entre cristãos e muçulmanos, com Israel cuidadosamente na posição de mediador. Ao fechar as portas das igrejas por dois dias nas vésperas do novo milênio, os cristãos esperam chamar a atenção mundial para o que eles afirmam ser uma crescente afronta a seus santuários. Nós fechamos as igrejas para que o mundo possa ouvir, disse o patriarca latino da Terra Santa, Michael Sabbah.
Segundo especialistas em religião, o protesto talvez possa prejudicar a intenção israelense de mostrar ao mundo na virada do milênio que cristãos, muçulmanos e judeus vivem em harmonia na região.
O conflito em Nazaré começou há dois anos com a disputa de um terreno de dois hectares em frente à basílica. Os cristãos querem construir uma praça para os visitantes do milênio no local e os muçulmanos, uma mesquita. Israel, no papel de mediador, decidiu dividir o terreno e construir ali uma mesquita em um terço do espaço e uma praça no restante.
Ontem, muçulmanos oraram em seu pedaço do terreno. Depois da oração, máquinas niveladoras abriram caminho para a construção da mesquita. O líder do movimento islâmico em Nazaré, Salman Abu Ahmed, afirmou ter ficado surpreso com a oposição à construção da mesquita e que deseja viver em paz com seus vizinhos cristãos, que constituem 30% dos 60 mil habitantes de Nazaré.
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdalá Ben Aziz, está disposto a financiar a construção da nova mesquita, com a condição de que ela seja levantada em um lugar que não ofenda os cristãos, informou ontem a agência de notícias palestina Wafa.





