Protesto derruba autoridades no Irã
Associated Press
De Teerã
O governo do Irã anunciou ontem a demissão de dois chefes da área de segurança responsáveis pela invasão policial na quinta e sexta-feiras das residências estudantis no campus da Universidade do Irã, em Teerã. O governo admitiu a morte do soldado Ezzatollah Ebrahiminejad, que estava de licença e visitava colegas no dormitório.
O diário governamental Iran assegurou, citando fontes estudantis, que cinco jovens morreram e muitos outros estão em estado crítico. Eles foram atacados por policiais e radicais islâmicos. Os cerca de mil estudantes detidos na repressão foram libertados em seguida, após a intervenção dos ministros da Cultura e Educação Superior e do Interior.
A televisão iraniana informou ontem que o Conselho de Segurança Nacional emitiu comunicado sobre a destituição dos chefes de segurança, o general Sadat Ahmadi e seu assistente, cujo nome não foi mencionado. Eles serão submetidos a processo judicial.
No seu primeiro comentário sobre o ocorrido, o presidente Mohammad Khatami condenou a violenta invasão policial do campus e enviou carta ao ministro da Cultura e Educação Superior, Mostafa Moin, para informar-lhe que não aceita sua renúncia ao cargo, apresentada sábado em protesto contra a brutalidade policial.
A agência oficial Irna, destacou que Khatami prometeu ao ministro esclarecer todos os aspectos do incidente e tomar as medidas apropriadas. Qualquer violência e tensão tem de ser evitada porque a tranquilidade é a mais básica necessidade do país e um pré-requisito para o desenvolvimento político, enfatizou o presidente iraniano.
Pelo quarto dia consecutivo, milhares de estudantes prosseguiram ontem com as manifestações contra os radicais no governo, exigiram a destituição do chefe da polícia, Hedayat Lotfian - alguns chegaram a clamar por sua execução -, e pediram que as forças policiais sejam postas sob responsabilidade do ministro do Interior, Abdolvahed Mussavi-Lari, um aliado de Khatami.
Os universitários querem que todos os órgãos da área de segurança fiquem sob o controle de Khatami. A polícia e o Judiciário estão sob controle do líder supremo da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, apoiado pelo clero conservador.
Khatami é nosso líder nacional, Nós apoiamos Khatami, gritavam os manifestantes. Cerca de dez mil pessoas protestaram diante do dormitório estudantil e ergueram barreiras com pneus e arame farpado. A polícia não interveio. Segundo a agência Associated Press, os protestos contra os radicais islâmicos espalharam-se por outras cidades do país.
O estopim para a invasão foi o protesto dos estudantes, na quinta-feira, contra o fechamento do diário esquerdista islâmico Salam, ordenado pelo Tribunal Especial do Clero do Irã porque o jornal publicou na terça-feira uma carta considerada pelas autoridades um documento secreto.
As manifestações estudantis são os maiores protestos na capital desde a Revolução Islâmica, em 1979, e uma clara demonstração do aprofundamento das disputas entre moderados - partidários do presidente Khatami - e conservadores, representados por Khamenei.
As declarações de Khatami receberam o apoio da filha do ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, a deputada Fezeh Hashemi, que ontem visitou os estudantes no câmpus. Ela também está sob pressão dos radicais xiitas. Em abril, Fezeh foi obrigada a fechar seu jornal, o Zan (Mulher).





