Protesto de índios no Equador
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terça-feira, 30 de janeiro de 2001
Associated Press De Quito 
Milhares de indígenas se mobilizaram ontem na capital equatoriana, Quito, e em cidades do interior, no que qualificaram como um levante nacional contra as medidas econômicas do governo.
Cerca de 200 camponeses indígenas invadiram a sede da Universidade Politécnica Salesiana em um bairro próximo ao centro da capital, instalando-se no pátio central do edifício.
Em seguida, aos poucos, grupos de dezenas de indígenas foram se infiltrando nas dependências da universidade, até seu número atingir 3 mil, e eles começarem a instalar ali tendas e fogareiros.
O reitor da universidade, Eduardo Delgado, disse aos jornalistas que a invasão foi pacífica e que a direção havia decidido que as aulas prosseguirão enquanto eles ali permancerem sem provocar desordens.
Ao mesmo tempo, outras centenas de camponeses indígenas mantinham bloqueados vários trechos da Rodovia Panamericana nas províncias de Imbabura, ao norte, e de Cotopaxi e Chimborazo, no centro do país, interrompendo o trânsito com pedras e troncos de árvores sobre o leito da estrada.
Cerca de 50 policiais, alguns deles da polícia montada, patrulham o parque de El Arbolito, na capital local indicado pelos dirigentes indígenas como o centro de concentração para o início de um levante nacional contra o governo.
Após uma frustrada tentativa de se concentrarem domingo no parque, os indígenas se retiraram e, numa aparente mudança de tática, optaram por ingressar ontem na Universidade Politécnica, a dez quadras do parque.
O ministro do Governo, Juan Manrique, qualificou a cúpula indígena como uma minoria que pretende destruir a ordem constitucional, e que carece de direitos que amparem sua aventureira posição subversiva, disse no domingo.
Ontem, porém, o líder indígena Pedro de la Cruz rechaçou as afirmações do ministro, esclarecendo que eles querem protestar contra o governo, mas não derrubá-lo.
O que queremos é que o governo mude sua política, afirmou.


