Protesto contra desemprego em Paris
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Raúl Zamora France Presse, Paris 
France PresseProtestoManifestante leva cartaz em que cita a situação do desemprego na FrançaCerca de 80 mil pessoas desfilaram ontem em Paris em defesa do emprego na Europa, que foi tornado pelos socialistas franceses, recém-chegados ao governo, em um objetivo vital frente à Europa dos banqueiros, como certos sindicalistas classificam o processo de Maastricht.
A central sindical CGT (pró-comunista) sustentou que cerca de 40 mil de seus membros - dos 80 mil anunciados pelos organizadores do desfile - participaram da manifestação.
Cerca de dois mil operários da Renault da França e da Bélgica - especialmente da fábrica belga de Vilvorde, cujo fechamento foi decretado há alguns meses - lideraram o desfile em que estavam também presentes trabalhadores vindos da Espanha e da Itália.
A manifestação de ontem representa de fato um apoio ao flamante governo socialista do primeiro-ministro, Lionel Jospin, que semeou o desconcerto nas capitais européias - e sobretudo na Alemanha - ao pedir um prazo de reflexão sobre o pacto de estabilidade do tratado de Maastricht.
O secretário-geral da Confederação Européia de Sindicatos (CES), Emilio Gabaglio, que veio para Paris a fim de participar no grande desfile, se disse feliz pela posição adotada pelo governo francês sobre o pacto de estabilidade.
Este desfile ocorre depois da manifestação de 28 de maio passado nas outras capitais européias, realizada pelos trabalhadores para dizer aos governos que os assalariados e cidadãos querem uma Europa mais solidária.
O pacto de estabilidade prevê a aplicação de fortes sanções financeiras aos países da União Européia cujos déficits públicos superem em três por cento o Produto Interno Bruto (PIB). Os sindicatos consideram que se trata de um pacto para a austeridade perpétua no continente afetado por 18 milhões de desempregados.
Há seis meses há mais iniciativas de caráter europeu do que nos quatro ou cinco anos anteriores, comemorou Louis Vianney, comentando o sucesso da marcha de ontem.
Outra líder sindical, Nicole Notat, da confederação CFDT, declarou que o objetivo consiste em que a política de emprego seja inscrita no tratado europeu e que tenha tanta importância quanto a moeda única.


