‘‘Liberdade, liberdade, não mais Farc, não mais seqüestros’’, diziam as milhares de pessoas que saíram às ruas de 40 cidades colombianas, que ficaram praticamente paralisadas por volta do meio-dia; protestos simultâneos foram planejados e organizados por um grupo de jovens que divulgou a iniciativa pela internet

Bogotá- Manifestantes organizaram vários protestos ontem na Colômbia e em 125 cidades ao redor do mundo, nos quais pediam o fim de ações violentas das Farc e a libertação de todos os sequestrados em poder do grupo guerrilheiro.
''Liberdade, liberdade, não mais Farc, não mais sequestros'', diziam as milhares de pessoas que saíram às ruas de 40 cidades colombianas, que ficaram praticamente paralisadas por volta do meio-dia. Os protestos simultâneos foram planejados e organizados por um grupo de jovens que divulgou a iniciativa pela internet - e que pediram para que o ato não fosse associado a nenuma organização política.
''Sinto pena dos familiares que têm sequestrados apodrecendo cruelmente na selva (...), e quero que todas as nações do mundo se dêem conta que as Farc não são a Colômbia'', declarou à AFP Myriam Forero, funcionária aposentada do poder judiciário que participou de uma das manifestações em Bogotá.
Na capital colombiana, as marchas saíram diversos pontos às 10H00 locais (15H00 GMT) em direção à Praça de Bolívar, no centro histórico da cidade, que foi ocupada por milhares de pessoas com camisetas brancas.
Grandes manifestações também foram organizadas em Cali, Medellín, Barranquilla e em todas as principais cidades colombianas.
Na Praça de Bolívar, em Bogotá, foram colocadas lado a lado mais de 700 cadeiras vazias, representando os sequestrados que ainda permanecem em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
A política Clara Rojas, libertada pela guerrilha no dia 10 de janeiro junto com a ex-congressista Consuelo González, participou de uma das marchas. González, por sua vez, classificou as manifestações simultâneas como ''um ato histórico''.
Emocionada, Rojas pediu às Farc que ''escutem esta mensagem que a Colômbia está enviando, é todo o povo que pede que por favor escutem e reflitam''.
O presidente venezuelano Hugo Chávez e a senadora colombiana Piedad Córdoba, que desde novembro atuam como mediadores para negociar uma eventual troca de reféns por guerrilheiros presos, também foram alvo de protesto dos manifestantes, que levavam cartazes e e gritavam slogans contra a dupla.
Na cidade colombiana de Valledupar (norte), o presidente Alvaro Uribe agradeceu a participação em massa nos protestos.
''Estamos fazendo chegar nossa voz de gratidão aos colombianos residentes em tantos países do mundo que hoje se uniram conosco nesta jornada contra o sequestro e contra o crime'', declarou.
As marchas começaram no domingo em cidades da Austrália e do Japão, e ao longo do dia foram acontecendo em vários países da Europa e da América. Em Londres, mais de 3.000 pessoas se reuniram na Trafalgar Square sob o lema ''Stop the Farc''. Cerca de 500 pessoas foram à Plaza Mayor de Madri e outras 400 foram às ruas em Roma para pedir a libertação dos reféns.

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