Propostas semelhantes dos candidatos
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
Fabio Castro e Santiago Piedra France Presse 
Os advogados Khamil Mahuad e Alvaro Noboa, que disputarão nas urnas a Presidência equatoriana amanhã, centraram as propostas na moradia e no emprego, mas consideram que o país precisa de educação e saúde para sair do subdesenvolvimento.
Mahuad, que representa a Democracia Popular (DP), principal força política do Equador, e Noboa, um milionário independente que tem o apoio do Partido Roldosista Equatoriano (PRE) do ex-presidente Abdalá Bucaram, intensificaram o proselitismo nas últimas horas.
Os candidatos são homens muito diferentes, mas sua política social coincide: Mahuad oferece a construção de 150 mil casas e a criação de 900 mil empregos e Noboa está recebendo formulários para doar 200 mil casas e anuncia 800 mil trabalhos.
Noboa, segundo seu programa, promete se sentar para dialogar com os sindicatos para melhorar o salário mínimo e resolver junto aos trabalhadores o que seria mais justo para os operários equatorianos, enquanto Mahuad anuncia a facilitação da reconversão trabalhista.
Problemas O novo presidente do Equador, que será eleito amanhã, assim que assumir o cargo, no dia 10 de agosto, terá de encarar os difíceis problemas econômicos e sociais, além de ter de conviver com as tradicionais disputas de poder com o Legislativo para alcançar a governabilidade.
Vença o democrata-cristão Jamil Mahuad ou o milionário independente Alvaro Noboa no segundo e definitivo turno eleitoral, o novo chefe de Estado deverá buscar o apoio do parlamento para tirar a nação de uma crise generalizada durante os próximos quatro anos para o qual será designado.
Caso chegue à presidência da República, Mahuad contará com 32 legisladores (26%) de seu partido Democracia Popular (DP, democrata-cristão) no renovado unicameral Congresso Nacional, que, com 121 membros, será instalado em 1º de agosto.
Os democrata-cristãos serão a principal força política nesse Congresso, enquanto que partidos como o Social-Cristão (PSC, direita, com 26 legisladores) e Esquerda Democrática (ID, social-democrata, com 16) apóiam Mahuad para presidente.
Já o independente Noboa conta com o apoio do Partido Roldosista Equatoriano (PRE, populista), do destituído presidente Abdalá Bucaram, que terá 24 cadeiras.
O futuro presidente terá também a missão de tirar os doze milhões de habitantes da crise econômica e social que atravessa o país.
Os equatorianos estão afogados numa dívida externa pública de 12,597 bilhões de dólares (cerca de 1.050 dólares per capita), uma inflação que apenas no primeiro semestre de 1998 ficou em 22,1% e um déficit no orçamento que poderá chegar aos 1,36 bilhão de dólares (6% do produto interno bruto).
Enquanto isso, a reserva monetária internacional é de apenas 1,939 bilhão de dólares.
O rombo fiscal apareceu com a intempestiva queda do preço do petróleo equatoriano de exportação (cerca de 250.000 barris diários), os embates do fenômeno climatológico de El Ni¤o e a crise econômica na Ásia, como explicou o atual presidente interino, Fabián Alarcón.
Com um salário básico mensal de 780.000 sucres (cerca de 150 dólares) a partir de julho, ao ser incrementado em 11% pelo governo, a população enfrenta inconvenientes para cobrir o custo da cesta básica (alimentação, educação e moradia), que alcançou os 2,1 milhões de sucres (404 dólares) em junho, segundo cifras oficiais.
O novo presidente que conduzirá o Equador para o século XXI herdará também a obrigação de reconstruir a nação devastada principalmente na região do litoral pelo El Ni¤o, que causou danos de 2,6 bilhões de dólares ao destruir pontes, estradas e cultivos, afetando as exportações. A Defesa Civil informou que o fenômeno deixou 285 mortos, 162 feridos, 36 desaparecidos, 29.658 flagelados e 10.204 residências danificadas parcialmente.


