Proposta dos EUA desagrada países
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Bernard Estrade<br>France Presse 
Nova York Os membros do Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas começaram a discutir ontem o projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos para criar uma força multinacional no Iraque, mas a idéia não fez sucesso em Paris, Berlim e Moscou. Os Estados Unidos distribuíram cópias da resolução, que propõe a criação de uma força multinacional para enfrentar a crescente instabilidade no Iraque. O projeto não coloca de forma explícita o governo americano à frente dessa força, mas diz que os Estados Unidos serão responsáveis por informar ao Conselho de Segurança sobre seu desempenho.
A resolução diz que a ONU terá o papel de decidir sobre um cronograma para o estabelecimento de um governo democrático no Iraque, mas a maioria dos governos que a analisou diz que o texto não atribui reponsabilidade suficiente às Nações Unidas.
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança China, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia se reuniram na quinta-feira à tarde para preparar a sessão do organismo convocada para ontem. Os diplomatas americanos também organizaram uma reunião com os outros dez membros do Conselho de Segurança para tentar convencê-los a aceitar a resolução.
Praticamente todos os representantes concordaram que o projeto americano representa um ''ponto de partida'' para uma resolução que poderá ser aprovada, segundo diplomatas que estiveram presentes nas reuniões. As conversas foram construtivas, informaram.
Os debates sobre a questão iraquiana antes da guerra provocaram profunda divisão nas Nações Unidas e, dessa vez, a Casa Branca espera que isso não aconteça.
Os diplomatas acreditam que a nova resolução poderá ser aprovada antes de 23 de setembro, quando os presidentes George W. Bush, Chirac, Putin e outros líderes mundiais estarão juntos para a reunião anual da Assembléia Geral.
Segundo um diplomata de um dos países que se opuseram ao governo provisório iraquiano instalado pelos Estados Unidos, o reconhecimento dessa administração já deixou de ser um problema sério. ''A situação é mais séria agora. Temos que trabalhar rapidamente para poder transferir o poder aos iraquianos o mais rápido possível'', acrescentou ele, pedindo para não ser identificado.
Todos os países pedem que as Nações Unidas tenham papel mais importante nesta tarefa.
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Jacques Chirac, falaram sobre o assunto ontem por telefone. Os dois países são contra a nova resolução proposta pelos Estados Unidos.
''A proposta americana inclui princípios (que são defendidos pela Rússia), mas para que eles sejam totalmente detalhados na resolução o documento terá de ser trabalhado seriamente'', disse o chanceler russo, Iván Ivanov.
A Alemanha também não concordou com o projeto, mas o ministro Gerhard Schroeder foi moderado ao comentá-lo.


