Uma iniciativa brasileira de criação de um Fundo de Desenvolvimento Limpo ganhou apoio na terceira conferência dos 166 países signatários da Convenção de Mudança Climática e pode facilitar uma solução política para a questão que, de acordo com fontes de várias delegações, ameaça agora conduzir o encontro a um impasse: a forte resistência dos países em desenvolvimento à exigência dos Estados Unidos para que eles se submetam no futuro a um regime obrigatório de controle das emissões dos gases do efeito-estufa semelhante ao que a conferência em curso na antiga capital do Japão pretende instituir para os 34 países industrializados que são parte da convenção. O Fundo proposto pelo Brasil funcionaria como um mecanismo de transferência de recursos e tecnologia dos países ricos para programas de redução de emissões dos gases poluentes nas nações em desenvolvimento.
Os Estados Unidos e outros países industrializados indicaram seu apoio inicial à idéia depois de ouvir uma explicação do presidente da Agência Espacial Brasileira, Luiz Gylvan Meira Filho, numa reunião com representantes de vários países, ontem à tarde. A delegação brasileira ficou de apresentar um texto com os parâmetros que orientariam o estabelecimento.
As discussões avançaram também em outros tópicos da complexa agenda das negociações, que representantes de governos e organizações não-governamentais consideram cruciais para que o mundo passe a usar seus recursos energéticos de forma mais eficiente e racional e preserve a ecologia do planeta contra os riscos de um aquecimento de temperatura da atmosfera provocado pelo efeito-estufa. ‘‘As conversas entraram num novo ritmo e nós estamos encorajados com isso’’, disse Melinda Kimble, a líder da delegação dos EUA. Caminhou-se para um entendimento em relação aos gases que serão cobertos pelo protocolo de redução das emissões para os países industrializados, que está em negociação. Já existe, por exemplo, um acordo em princípio para incluir apenas os três gases que mais contribuem para o efeito-estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), numa primeira fase da execução das metas que vierem a ser acordadas. Uma decisão sobre a inclusão de outros gases ficará para a própria reunião dos signatários da convenção, no ano que vem, em Buenos Aires. Houve progressos, também, nas conversas sobre os critérios a serem usados na definição das metas de redução das emissões.
A delegação dos Estados Unidos, que chegou a Kyoto com a proposta mais tímida de controle de emissões - sua estabilização ao nível de 1990 entre 2008 e 2012 - indicou ainda, em consultas de bastidores, que poderá melhorar sua oferta e aceitar uma pequena redução, com diferenciação de metas entre os países, nos moldes sugeridos pelo Japão, Canadá e Nova Zelândia, que propuseram cortes entre 3% a 5% abaixo dos níveis de 1990 no ano 2010.

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