São Paulo - Promotores chineses solicitaram uma pena dura para o ex-dirigente político Bo Xilai, cujo julgamento por acusações de corrupção ativa e passiva e abuso de poder terminou ontem. O caso é um dos maiores escândalos na política chinesa em 40 anos.
Xilai, que era dirigente do Partido Comunista na Região Metropolitana de Chongqing, teve sua carreira encerrada por um escândalo que levou à condenação da sua mulher, Gu Kailai, pelo assassinato de um empresário britânico amigo da família.
O tribunal, anunciando o final dos cinco dias de julgamento, disse que o veredicto será proferido em uma data ainda não divulgada. Não foram citados detalhes, mas a expectativa é de que o resultado seja divulgado em algumas semanas.
Bo Xilai declarou-se repetidamente inocente das acusações, embora tenha admitido que tomou algumas decisões erradas e envergonhou seu país por causa do tratamento dispensado ao ex-chefe regional de polícia Wang Lijun, primeiro a ter avisado Bo Xilai de que Gu era suspeita pelo assassinato de Neil Heywood.
O ex-dirigente afirmou que confessou os crimes contra sua vontade, enquanto ainda era investigado, porque tinha "a esperança de salvar minha permanência no Partido e continuar minha carreira política". Ele ainda admitiu ter falhado na questão política.

Condenação
Bo Xilai pode ser condenado à morte, mas a maioria dos observadores acha que isso é improvável, pois o Partido Comunista não desejaria transformar em mártir um homem que ganhou popularidade com políticas esquerdistas de bem-estar social.
Esse é considerado o julgamento de maior visibilidade política na China desde o processo contra a chamada Camarilha dos Quatro, após o final da Revolução Cultural, na década de 1970.
Em suas alegações finais, a Promotoria disse que Bo Xilai não deve ter direito a leniência, já que voltou atrás de confissões feitas antes do tribunal, alegando ter sido pressionado psicologicamente. "O acusado não só negou terminantemente uma vasta quantidade de fatos e indícios conclusivos dos seus crimes como também repudiou materiais e testemunhos por escrito prévios ao julgamento", disse o tribunal.

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