Buenos Aires - A Promotoria argentina pediu à Justiça na tarde de ontem que o vice-presidente do país, Amado Boudou, seja convocado para interrogatório na condição de acusado de corrupção no chamado caso Ciccone.
A investigação conduzida pelo Ministério Público diz que Boudou teria ajudado a salvar da falência a gráfica Ciccone (hoje rebatizada de Companhia de Valores Sudamericana). A gráfica teria recebido aportes financeiros de uma empresa ligada a Boudou quando ele era ministro da Economia no primeiro mandato de Cristina Kirchner. Recuperada financeiramente, a Ciccone conseguiu um contrato com o governo para imprimir notas de cem pesos e, depois, material de propaganda para a segunda eleição de Cristina.
O vice está sendo investigado há dois anos por negociações incompatíveis com seu cargo e também por enriquecimento ilícito. De 2009 para 2010, o patrimônio dele aumentou 69%. O promotor Jorge Di Lello também pediu que o diretor da Administração Federal de Ingressos Públicos (Afi), equivalente à Receita Federal, que aparece na acusação do caso Ciccone, seja interrogado. O juiz Ariel Lijo não tem um prazo para responder à solicitação da Promotoria. Após a divulgação do pedido de interrogatório para Boudou, a oposição voltou a atacá-lo e a pedir sua renúncia. "Se eu fosse Boudou, teria renunciado. Se é processado, tem que renunciar sim ou sim. E também para liberar [dessa responsabilidade] a presidente", disse o deputado Felipe Solá, da Frente Renovadora. Para a deputada Elisa Carrió, da UNEM, não há dúvida de que "o governo vai entregar Boudou".

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