Promotoria expôs desrespeito à lei desde primeiro dia
A promotora do caso, Clare Montgomery, deixou claro desde o primeiro dia que a polícia havia desrespeitado a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974, que, em linhas gerais, estabelece que os cidadãos não podem ser expostos a riscos a sua segurança ou saúde durante o trabalho de agentes do governo.
A argumentação colocava a polícia num beco sem saída: se Jean Charles fosse de fato um terrorista suicida, a polícia jamais deveria tê-lo deixado entrar no metrô, o que colocou a população em risco. Se não fosse, como de fato não era, a polícia matou um inocente, o que também fere a lei. Pelas duas óticas, houve o que Montgomery chamou de ''um erro chocante e catastrófico''.
Osman, o terrorista com quem Jean Charles foi confundido, integrava um grupo que tentou, no dia anterior, fazer novos atentados em Londres, duas semanas depois de ataques suicidas num ônibus e em três estações do metrô que deixaram 52 mortos. O brasileiro morava no mesmo conjunto de prédios que o terrorista.
O resultado do julgamento volta a colocar pressão sobre o chefe da polícia britânica, Ian Blair, para que renuncie. Antes do início do julgamento, Blair havia dito que uma eventual condenação teria um impacto ''profundo'' na polícia do Reino Unido. Ontem ele afirmou em nota que ''sente profundamente'' pela morte de Jean Charles.(P.D.L.)





