Promotor quer levar Pinochet ao tribunal
Advogados da acusação de Augusto Pinochet pediram formalmente ontem o julgamento do ex-ditador, depois de seu depoimento feito na terça-feira ao juiz Juan Guzmán Tapia, informou o jurista Eduardo Contreras.
A solicitação, apresentada na secretaria da Corte de Apelações de Santiago, é dirigida ao magistrado, que investiga 210 queixas contra o ex-presidente pelas violações dos direitos humanos durante seu regime (1973-90).
Em uma versão divulgada ontem pela Rádio Chilena de Santiago sobre o depoimento do ex-ditador no interrogatório a que foi submetido terça-feira, o general Augusto Pinochet disse que os restos dos opositores desaparecidos em mãos de uma comitiva militar em 1973, a denominada caravana da morte, eram de terroristas sem documentos cujos corpos nunca foram reclamados por seus familiares. A rádio divulgou ontem o que afirma ser uma transcrição das perguntas e respostas do interrogatório a que Pinochet foi submetido pelo juiz Juan Guzmán.
No texto há uma menção ao fato de Pinochet ter demonstrado boa memória a respeito de fatos ocorridos há 27 anos.
Guzmán decidirá nos próximos dias se vai processar Pinochet pelo assassinato de 57 opositores e pelo desaparecimento de outros 18 em mãos da comitiva de oficiais do Exército, enviada pelo então chefe do governo a cidades do norte do país para agilizar os conselhos de guerra após o golpe militar de 1973.
Segundo a versão da emissora, Pinochet disse ao juiz que alguns corpos de executados foram retirados por seus familiares.





