Promotor pede renúncia do juiz no processo de Saddam
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quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - O promotor-chefe do julgamento do ex-ditador Saddam Hussein por genocídio pediu o afastamento do juiz que preside o julgamento, Abdullah al Amiri, acusando-o de ser ''condescendente'' com o réu, que ontem fez ameaças contra ''aqueles que os acusam''.
''Os réus foram longe demais, usando expressões e palavras inaceitáveis'', afirmou o promotor Munqith al Faroon. ''Eles fizeram claras ameaças. A promotoria exige que o juiz renuncie ao caso'', disse, acrescentando que a corte se transformou em ''tribuna política'' para Saddam.
Al Amiri negou o pedido, defendendo sua atuação no caso e citando seus 25 anos de experiência. A sessão de ontem é a sexta a respeito do caso Anfal, referente à campanha de ataques do Exército iraquiano entre 1987 e 1989 à comunidade curda no norte do Iraque.
O ex-ditador e outros sete réus - entre eles seu primo Ali al Majid, conhecido como ''Ali, o Químico''- são julgados pela campanha contra os curdos, realizada em áreas da fronteira com o Irã na década de 80. Segundo a promotoria, cerca de 180 mil morreram na ação.
Na terça-feira, Saddam criticou os ''agentes do Irã e do sionismo'' depois que a promotoria afirmou que os rebeldes curdos lutavam contra sua ''tirania''. Al Faroon ameaçou deixar a corte caso Saddam continuasse tendo permissão do juiz para falar durante a audiência.
Na audiência de ontem, o ex-ditador permaneceu calado e folheou um livro do Alcorão durante a sessão.


