Promotor pede 10 anos para Oviedo
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Reuter 
Um promotor militar paraguaio pediu ontem em Assunção dez anos de prisão para o general da reserva Lino Oviedo, candidato presidencial do governista Partido Colorado nas eleições previstas para 10 de maio. Acusado de liderar a tentativa de golpe militar de abril de 1996, Oviedo está preso desde dezembro num quartel de Assunção por ordem de uma corte militar instalada pelo presidente paraguaio, Juan Carlos Wasmosy.
A sentença emitida por um tribunal militar não tiraria de Oviedo a candidatura à presidência. Segundo juristas ligados ao general, ele só perderia a condição de candidato se a decisão dos juízes militares fosse executada e ratificada pelo Supremo Tribunal antes das eleições. Esses especialistas estimam que já não há tempo para que isso ocorra.
Enfrentando Wasmosy e a liderança do partido, Oviedo obteve a candidatura do partido na convenção de setembro. Desde então, o presidente da República e seus partidários tentam encontrar meios de retirar o general da disputa eleitoral.
Wasmosy tenta adiar a eleição. O presidente consultou seus parceiros comerciais do Mercosul - Brasil, Argentina e Uruguai - sobre a possibilidade de adiar o pleito, mas foi advertido pelos vizinhos de que o país sofreria sérias consequências com a decisão.
Sob o pretexto de analisar a expulsão de um deputado por infidelidade partidária, o Partido Colorado convocou uma convenção extraordinária na segunda-feira que poderia se decidir pela substituição do candidato. Até ontem à noite, porém, o partido não havia anunciado o nome de nenhum substituto, apesar de a convenção não ter sido encerrada. Como o prazo para a inscrição de candidatos encerrava-se ontem, a hipótese de substituir Oviedo está descartada.
A oposição, liderada pelo candidato centro-esquerdista Domingo Laíno, reiterou ontem sua disposição de denunciar a tentativa do governo de adiar a eleição como um golpe.


