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m de leitura Atualizado em 10/04/2022, 17:47

Projeção coloca Macron e Le Pen no 2º turno da eleição na França

Primeiro turno aconteceu neste domingo (10) com a abstenção parcial registrada em 35% às 17h, mais alta do que há cinco anos

PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de abril de 2022

Folhapress
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Foto: Joel Saget, Eric Feferberg/AFP
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Milão, Itália - Assim como há cinco anos, o segundo turno da eleição presidencial da França deve ser disputado entre Emmanuel Macron, 44, e Marine Le Pen, 53. Neste domingo (10), projeções de institutos mostram que os dois foram os mais votados entre 12 candidatos e, assim, devem voltar a se enfrentar em 24 de abril.

De acordo com os números da Ipsos, divulgados após o fechamento das urnas (às 20h de Paris, 15h em Brasília), o presidente centrista tem 28,1% dos votos, ante 23,3% da candidata da ultradireita. Em terceiro lugar, vem o ultraesquerdista Jean-Luc Mélenchon, com 20,1%.

No primeiro turno de 2017, Macron obteve 8,6 milhões de votos, com 24% dos válidos, enquanto Le Pen somou 7,7 milhões, com 21%. Pesquisa divulgada na última sexta (8) apontava para uma disputa apertada no segundo turno, com vitória de Macron por 53% a 47%. Em 2017, ele derrotou Le Pen por 66% a 34%. A última vez que um presidente francês foi reeleito ocorreu há 20 anos, com o conservador Jacques Chirac.

Abstenção

Cerca de 49 milhões de eleitores estavam habilitados a ir às urnas neste domingo, mas a abstenção parcial foi registrada em 35% às 17h, mais alta do que há cinco anos, quando atingiu 30% no mesmo horário. Na França, o voto não é obrigatório. A três horas do fechamento das urnas, a abstenção em Paris, que teve um domingo de sol, estava bem acima da média nacional, com quase 48%.

A abstenção neste domingo só não é maior que o registrado em 2002, quando a taxa às 17h foi de 41,55%.

Em teoria, a baixa participação de eleitores de grandes cidades favorece Le Pen, cujo eleitorado conta com boa parcela de trabalhadores em cidades menores e periféricas e pequenos produtores rurais.

Os principais candidatos votaram pouco antes da hora do almoço. Por volta das 11h, Mélenchon foi à urna na cidade de Marseille. Pouco depois foi a vez de Le Pen comparecer à sua seção, em Hénin-Beaumont, no norte do país. Acompanhado da mulher, Macron votou pouco antes das 13h em Le Touquet, também ao norte da França. Os três se dirigiram depois para Paris, onde vão acompanhar a apuração.

O resultado do primeiro turno reflete as pesquisas divulgadas na véspera da votação, que davam 26,5% das intenções de voto para Macron, 3,5 pontos à frente de Le Pen. A diferença entre os dois, que chegou a ser de 16 pontos no começo de março, foi diminuindo de forma constante na reta final da campanha.

Marine Le Pen e  Emmanuel Macron:  diferença entre os dois, que chegou a ser de 16 pontos no começo de março, foi diminuindo de forma constante na reta final da campanha Marine Le Pen e  Emmanuel Macron:  diferença entre os dois, que chegou a ser de 16 pontos no começo de março, foi diminuindo de forma constante na reta final da campanha
Marine Le Pen e Emmanuel Macron: diferença entre os dois, que chegou a ser de 16 pontos no começo de março, foi diminuindo de forma constante na reta final da campanha |  Foto: Joel Saget, Eric Feferberg/AFP
 

Questões econômicas 

Segundo analistas, Le Pen se beneficiou de uma campanha centrada em temas relacionados ao custo de vista, impactado nos últimos meses por uma inflação que atingiu 5,1% em março. Além disso, soube suavizar seu discurso extremista, deixando em segundo plano ideias como a saída da França da União Europeia. A presença de Éric Zemmour na disputa, ainda mais à direita, também fez com que a candidata ganhasse um verniz moderado. Com 7,2%, ele deve terminar a eleição em quarto lugar.

O programa de Le Pen, no entanto, continua radical, com propostas anti-imigração, como a realização de um referendo para assegurar a prioridade dos franceses no acesso a habitação social e emprego. Outra promessa é "erradicar ideologias islamistas" do país e multar mulheres que usem véu. "É uma medida que os franceses estão pedindo", disse ela, na semana passada.

Macron, por sua vez, começou a campanha em alta nas pesquisas, colhendo os frutos do seu protagonismo nas conversas diplomáticas em torno da guerra na Ucrânia, que teve início uma semana antes de ele confirmar que seria candidato à reeleição. Empenhado no cenário internacional e confiante na momentânea vantagem nas intenções de voto, sua campanha se limitou a um único grande comício com eleitores, e ele não participou de debates frente a frente com adversários.

Além disso, especialistas avaliam que o presidente não se aprofundou em propostas para aliviar questões relacionadas ao poder de compra, a maior preocupação dos franceses no momento. Por outro lado, encampou ideias impopulares, como o aumento da idade mínima da aposentadoria, de 62 para 65 anos.

A partir desta segunda, os dois adversários vão intensificar a busca de votos entre eleitores da esquerda, especialmente os que escolheram Mélenchon nesta primeira votação.

Apesar de diferenças ideológicas, os programas do esquerdista radical e ultradireitista têm pontos em comum, como a idade da aposentadoria - ele defende baixá-la para 60 anos para todos, e ela, para algumas categorias. Ambos também têm posicionamento anti-Otan, a aliança militar do Ocidente, e contra o "globalismo" de Macron, além de terem apoiado, no passado, o presidente russo, Vladimir Putin.

Já Macron, que, ao assumir, anunciou o início de uma era "ni de droite ni de gauche", ou seja, nem de direita nem de esquerda, conta com rejeição na ala mais à esquerda, que o considera mais à direita, por seu programa de reformas liberais e um comportamento político visto como excessivamente vertical.

Campanha atípica

Se, em 2017, sua vitória contou com o voto útil de eleitores mais interessados em barrar a chegada da ultradireita ao Eliseu do que por convicção em torno dele, neste ano especialistas e integrantes de movimentos de esquerda colocam em dúvida a adesão de uma "frente republicana" no segundo turno.

Segundo pesquisa Ipsos divulgada na véspera do primeiro turno, entre os que declaravam voto em Mélenchon, 37% disseram que vão se abster num segundo turno entre Macron e Le Pen; outros 36% indicaram preferir o atual presidente; e 27% escolheriam a ultradireitista.

Em 2017, Mélenchon, que chegou em quarto lugar, não declarou voto em Macron - imitou-se a dizer que não votaria em Le Pen. Seu partido fez uma consulta interna, e a maioria dos filiados decidiu que o melhor era votar em branco ou nulo. O processo deve se repetir neste ano.

De forma geral, a campanha presidencial foi atípica, considerada sem precedentes no histórico recente francês. A pandemia de coronavírus, que já dura mais de dois anos, impediu que temas eleitorais tivessem espaço no debate público, que acabaram ofuscados também pelo conflito no Leste Europeu. Essa é uma das explicações para o desinteresse dos eleitores.

Esta é a terceira vez que Le Pen disputa a Presidência. Além de 2017, quando foi derrotada por Macron, em 2012 ela ficou em terceiro lugar, com 18%. Já Macron concorre pela segunda vez.