O ministro do Interior da Aliança do Norte, Yunis Qanuni, proibiu uma manifestação de mulheres prevista para ontem em Cabul, informou a organizadora, Soraya Parlika. ''Disseram que era por razões de segurança, mas é somente um pretexto (...), não querem melhoras para a mulher'', disse.
Parlika, ex-dirigente da Cruz Vermelha em Cabul, afirmou que Qanuni chamou-a pessoalmente há dois dias, antes de partir para a Conferência da ONU em Bonn, para lhe dizer que a manifestação não poderia acontecer.
''Disse que tínhamos que esperar um tempo indeterminado'', comentou.
Enquanto as mulheres chegavam a sua casa ontem, confiando que a decisão seria revogada, Parlika recebeu outra chamada de um responsável do Ministério do Interior, negando de novo a permissão.
É a segunda vez que as novas autoridades de Cabul proíbem a manifestação, que pretende ir da casa de Parlika até a sede de Nações Unidas no Centro da capital, alegando em ambas ocasiões questões de segurança.
''Não acredito. Deve haver algum problema, não precisamos de segurança'', disse. Cerca de 50 integrantes da recém-criada União de Mulheres de Afeganistão se concentraram ontem em sua casa, muitas delas com um simples véu cobrindo seus cabelos, em vez da detestada burca.
Elas foram as primeiras a mostrar seus rostos fora de casa na capital, depois que a Aliança do Norte conquistou a cidade, no dia 13 de novembro. Entretanto, apesar desta ser mais flexível do que os talebans, garantindo que as mulheres terão maior liberdade, suas declarações foram recebidas com ceticismo.
''Anunciaram que as mulheres eram livres, mas só tirar o véu não é liberdade. Não é a liberdade que queremos'', comentou Nafisa, de 17 anos.
''Agora mesmo, a situação em Cabul não é boa. Não é o que queríamos'', acrescentou. Há exatamente uma semana, na terça-feira passada, cerca de 200 mulheres se reuniram na casa de Soraya Parlika para a primeira das duas manifestações frustradas.
Nesta ocasião, Parlika explicou que a razão alegada pelas autoridades para impedir a manifestação seria ''a falta de policiais suficientes''. Em assembléia as mulheres consideram que o direito ao trabalho e à educação são prioritários neste momento.

mockup