Roma - Os participantes de uma reunião sobre a ajuda humanitária à Síria lamentaram ontem, em Roma, que esta questão não foi tratada de forma adequada nas negociações em Genebra na semana passada.
"Durante as discussões tudo ficou centrado no plano político, enquanto não houve progresso no plano humanitário", declarou Valerie Amos, secretária-geral adjunta das Nações Unidas.
"Consideramos a questão humanitária como um potencial para restaurar a confiança entre as duas partes", acrescentou Valerie. Ela lembrou que entre as sete milhões de pessoas atingidas pela guerra na Síria, 3,3 milhões "necessitam de forma urgente de ajuda humanitária".
A ministra italiana das Relações Exteriores, Emma Bonino, destacou, por sua vez, que o "diálogo político que, nós sabemos, será longo e complicado, deveria ser tratado separadamente das questões humanitárias". "Os progressos humanitários são insuficientes" e são impedidos por "duas questões centrais": uma é a questão do acesso à ajuda, "este é o ponto essencial. Todos os tipos de ajuda - alimentar, de medicamentos - estão prontas a serem enviadas, não temos problemas técnicos", insistiu.
"O segundo problema é a proteção dos civis, enquanto as escolas e hospitais continuam a ser, ainda hoje, alvos de bombardeios".
"Nós reiteramos que isso não pode ser aceito. Não podemos mais aceitar pré-condições impostas ao acesso da ajuda humanitária, em virtude das normas do direito internacional", declarou.
Durante a abertura da reunião do grupo de trabalho internacional sobre os desafios humanitários do conflito sírio, a ministra foi ainda mais dura, considerando que "a comunidade internacional fracassou estrepitosamente, ao não garantir o acesso à ajuda humanitária nas proporções desejadas".
"Mais de 100 mil pessoas foram mortas, centenas de milhares de pessoas ficaram feridas. Violações dos direitos humanos e violações do direito humanitário internacional são muitas e constantes", alertou.
Representantes do Iraque, Irã, Líbano, Estados Unidos, Rússia, Catar, Arábia Saudita também estiveram presente, de acordo com a lista de participantes fornecida aos jornalistas. O ex-embaixador na Síria, Eric Chevalier, representou a França. A primeira rodada de negociações sobre a paz na Síria evidenciou que o abismo entre o regime e a oposição continua profundo, considerou a ONU no último dia de discussões em Genebra, onde o regime rejeita qualquer concessão.
Durante uma semana desta primeira rodada de negociações diretas desde o início da guerra na Síria, há quase três anos, as duas partes em conflito defenderam suas posições, com o regime insistindo que não vai ceder em relação à transição política e a oposição afirmando que Damasco "é obrigado a negociar" sobre essa questão.

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