OPOSIÇÃO Progressista vence eleição em Taiwan Com 39,3% dos votos, o oposicionista e independentista Chen Shui-Bian foi proclamado vencedor da votação para presidência do país France PresseVITÓRIAPartidários de Chen Shui-Bian comemoram o resultado nas urnas em frente a um telão com o presidente eleito e a vice, Annette LuFrance PresseA vitória do candidato progressista foi festejada nas ruas de TaipéFrance PresseO independente James Soong chora ao saber de sua derrota nas eleições France Presse De Taipé O opositor e independentista Chen Shui-Bian, candidato do Partido Democrata Progressista (DPP), foi proclamado oficialmente ontem vencedor das eleições presidenciais de Taiwan pela Comissão Central Eleitoral. O presidente da comissão, Huang Shih-cheng, afirmou que Chen obteve 39,3% do total de votos, ou seja 4.977.737, ficando à frente de James Soong, candidato independente, que recebeu 36,8% dos votos, e de Lien Chan, atual vice-presidente e candidato do Partido Kuomintang, no poder (23,1%). Os taiuaneses elegeram ontem seu décimo presidente na segunda eleição democrática organizada na ilha. Chen será oficialmente investido presidente no próximo dia 20 de maio, substituindo Lee Teng-hui, atual presidente, no poder há 12 anos. Chen é considerado ‘‘persona non grata’’ por Pequim por causa de suas posições separatistas. O governo chinês advertiu, em diversas ocasiões, que a independência da ilha significa guerra, pois, para Pequim, Taiwan é uma província rebelde, destinada algum dia a voltar de vez para a ‘‘pátria-mãe’’. Com a intenção de não assustar muito o eleitorado, Chen chegou a diminuir o tom de voz durante a campanha e até defendeu um diálogo com Pequim. Durante a votação de ontem, confirmou que excluía uma declaração de independência ou um referendo caso fosse eleito. ‘‘O referendo é um direito dos taiuaneses’’, declarou, depois de depositar seu voto. ‘‘Mas não são obrigados a exercê-lo’’, acrescentou. Nascido há 49 anos em uma família muito pobre do Sul de Taiwan, Chen Shui-bian, que teve a vitória nas eleições presidenciais d ontem reconhecida pela Comissão Central Eleitoral, virou inimigo jurado de Pequim por seus pontos de vista independentistas, ao mesmo tempo que sua popularidade crescia em Taiwan, principalmente desde que foi prefeito de Taipé, em 1994. Durante quatro anos, o primeiro prefeito da capital taiunesa eleito por voto direto gozou de grande apoio junto à população por seu combate contra a delinquência e corrupção e por sua boa oratória. Chen despertou a admiração de todos por sua atitude dedicada em relação à esposa, depois que ela perdeu a mobilidade nas pernas ao ser atropelada, em circunstâncias estranhas, enquanto ele fazia campanha em 1985. Advogado brilhante, Chen criou uma reputação de homem íntegro ao combater a corrupção dentro do Kuomintang (KMT, no poder desde 1949), enquanto foi vereador de Taipé, entre 1981 e 1985, e deputado de 1989 a 1994. Apesar de sua popularidade, Chen não foi reeleito nas municipais de 1998, provavelmente por causa de sua precipitação e intransigência na hora de realizar certas reformas, principalmente as relacionadas à indústria do sexo que domina a capital taiunesa, conforme observou o jornal Taipei Times em sua edição de quinta-feira passada. Alguns também o reprovam por ter favorecido a separação entre taiwaneses de nascimento e aqueles que chegaram à ilha fugindo das forças comunistas vitoriosas em Pequim, em 1949. Entre os três candidatos às presidenciais, Chen é o único nascido em Taiwan. Sua saída da prefeitura de Taipé não impediu, no entanto, que sua formação, o Partido Democrata Progressista (DPP), o escolhesse para concorrer à eleição presidencial por causa de sua enorme popularidade na ilha. Condenado a um ano de prisão em 1985 por um artigo publicado na revista opositora Formosa e que o poder julgou difamatório, Chen passou oito meses na cadeia.