São Paulo - Alemanha, França e Reino Unido lançaram uma ameaça direta de punição ao Irã. A medida visa combater a decisão de o governo iraniano abandonar as negociações sobre seu programa nuclear desenvolvido, assim como a continuação dessas atividades. De acordo com o documento publicado ontem pelo jornal norte-americano ''The Washington Post'', haverá a aplicação de medidas punitivas contra o país, sem mencionar o tipo de punição.
Em uma carta endereçada a Hassan Rouhani, chefe do Supremo Conselho de Segurança Nacional, os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha avisaram que a retomada da atividade nuclear ''vai por um fim às negociações'' e que ''as consequências só serão negativas para o Irã''.
O documento foi uma tentativa de interromper a escalada da crise entre o Irã, que defende a constituição de seu programa nuclear para a produção de energia, e os três países europeus, mais os Estados Unidos, que afirma que os iranianos querem desenvolver armas de destruição em massa, a exemplo das acusações feitas ao Iraque antes da guerra, iniciada em março de 2003. Os EUA nunca encontraram nenhuma arma desse gênero em território iraquiano.
Após semanas de ameaças, o governo iraniano confirmou ontem que irá notificar a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre a intenção de reiniciar as atividades da usina de Isfahan, que faz a conversão de urânio. De acordo com o ''Washington Post'' um diplomata iraniano que não quis se identificar afirmou que o governo estuda uma proposta realizada pelos três países europeus sobre a realização de uma reunião sobre o assunto em duas semanas.
Em 30 de abril último, as autoridades iranianas anunciaram a intenção de reiniciar algumas operações relativas ao enriquecimento de urânio, que pode ter uma aplicação civil e militar. Em novembro do ano passado, o governo do Irã aceitou suspender todas as atividades nucleares em troca da abertura de negociações com Alemanha, França e Reino Unido que envolviam acordos comerciais, tecnológicos e políticos.
O principal problema é que as negociações entram em conflito direto com uma questão essencial: os europeus querem que o Irã renuncie permanentemente ao enriquecimento de urânio, única garantia, segundo eles, que a república islâmica não tenha nenhum tipo de armas nucleares, o que os iranianos rejeitam.
Em dezembro de 2003, o governo iraniano assinou um protocolo adicional que submete suas atividades a um controle estrito e a inspeções de surpresa por parte da AIEA.

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