Professor universitário chefiou
campo de extermínio na Croácia
Ariel Palacios, especial para a AE
Agência Estado
Durante quase cinco décadas o croata Mirko Eterovic foi somente ‘‘el profesor’’. Mas antes de dedicar-se ao ensino de linguística e latim na Universidade de Córdoba, no interior da Argentina, teve uma sinistra ocupação: dirigiu o campo de concentração da Ilha de Brac, na Iugoslávia, onde durante a Segunda Guerra Mundial foi o responsável pela morte de milhares de judeus, sérvios e ciganos. Eterovic, de 86 anos, será expulso do país pelo governo argentino daqui a dez dias, independente de receber um pedido de extradição da Iugoslávia. No entanto, antes terá que ser encontrado, já que após a denúncia de sua existência, desapareceu de sua casa.
Eterovic, que nunca modificou seu nome, foi descoberto por uma série de investigações da Delegação das Associações Israelitas Argentinas (DAIA) que também está averiguando a presença na Argentina de outros 62 croatas que durante a última grande guerra participaram do governo de Ante Pavelic, líder do movimento colaboracionista nazista da Croácia, cujos integrantes foram conhecidos pela designação de ‘‘ustachas’’. Entre os principais ustachas procurados na Argentina estão Marcos Pavlovic, Ivan Herenci e Franjo Holy.
A DAIA não quer a expulsão de Eterovic: o influente órgão, ‘‘braço político’’ da comunidade judaica argentina, pretende que o croata seja julgado neste país pelo direito internacional sobre crimes contra a Humanidade. O governo argentino, atualmente com o Partido Peronista no poder, tem restrições a realizar esse julgamento, já que isso poderia tornar público a participação do general Juan Domingo Perón no recebimento de criminosos de guerra.
Sessenta e três criminosos de guerra croatas teriam se refugiado na Argentina a partir de 1945. Em conjunto, foram responsáveis pelo genocídio de 800 mil pessoas nos campos de concentração. No fim da guerra, o líder ustacha, Ante Pavelic, foi ajudado em sua fuga pelo Vaticano. Na Argentina, ele e parte de seu grupo tornaram-se assessores do presidente Perón. Os ustachas treinaram militares e policiais argentinos em técnicas de tortura e interrogatórios. Fiéis a seu anfitrião, foram os mais ferozes guarda-costas do general. Sua segurança no país parecia tão garantida que poucos sentiram a necessidade de modificar seus nomes. Durante o governo de Perón, Pavelic viveu confortavelmente em Buenos Aires. Após a queda de seu protetor, desapareceu misteriosamente, e nunca mais foi visto.
No ano passado, outro ustacha, Dinko Sakic, foi localizado em um chalé na praia de Santa Teresita, a poucas horas da capital argentina, e deportado para a Croácia. Sakic foi o comandante do campo de concentração de Jasenovac, conhecido como o ‘‘Auschwitz dos Bálcãs’’.

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