São Paulo - Agricultores brasileiros radicados no Paraguai estão mobilizados em protesto contra invasões de propriedades rurais e a insegurança jurídica no campo. Os colonos ''brasiguaios'', unidos aos produtores paraguaios, colocaram cerca de 5.000 tratores na beira das estradas em todo o país e ameaçam fechar as rodovias caso não sejam atendidos pelo governo federal.
Eles acusam o governo do presidente Fernando Lugo de ser conivente com as invasões de terra e reclamam da existência de uma ''máfia'' no governo e na Justiça que sustenta ações contrárias aos produtores.
Na terça-feira, o clima no país esquentou depois que um colono brasileiro, radicado no Paraguai há cerca de 30 anos, foi agredido por campesinos (os sem-terra paraguaios). Segundo a advogada Marilene Sguarizi, que representa o brasileiro, o confronto ocorreu após a retirada, por ordem judicial, dos campesinos da propriedade, que estava invadida havia cerca de dez anos.
''O Paraguai está uma baderna; virou um descontrole total, um desrespeito iminente às propriedades dos colonos e dos próprios paraguaios'', diz o produtor rural brasileiro Osias Neiverth, de 41 anos, que está há 23 anos no Paraguai e participa do tratoraço.
O governo paraguaio nega estimular invasões. No início do mês, o governo Lugo chegou a enviar tropas da polícia para a região para evitar confronto entre os sem-terra e os proprietários rurais.
Em junho, o ministro Didier César Olmedo, responsável pela Embaixada do Paraguai em Brasília, afirmou que os problemas apontados pelos produtores rurais decorrem de uma ''reforma agrária malsucedida'', ocorrida nos anos 1960 e 1970, que envolveu transações irregulares de títulos e marcações de terra equivocadas.
Por causa disso, segundo ele, os campesinos reivindicam parte das terras que estão hoje em posse de brasileiros, afirmando que houve erro nas marcações. Segundo Olmedo, há um órgão bilateral, com representantes do Paraguai e do Brasil, que tenta resolver a situação, mas o governo sofre com a falta de recursos.

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