São Paulo - O candidato de centro-esquerda Romano Prodi, que derrotou o atual premiê italiano Silvio Berlusconi no Congresso nas eleições parlamentares, afirmou ontem que formará um ''governo forte'' na Itália.
Resultados finais apontam a vitória de Prodi na Câmara dos Deputados, por 49,8% contra 49,7% de Berlusconi. De acordo com a lei italiana, 55% das cadeiras ou seja, 340 de um total de 630 são reservadas ao vencedor. Mesmo sem a maioria absoluta dos votos, Prodi contará com pelo menos 340 dos 630 assentos na Câmara, em acordo com a nova lei eleitoral.
Em uma coletiva de imprensa, Prodi afirmou que seu governo será ''política e tecnicamente'' forte. ''Este é um resultado profundamente europeu e, como se disse, a Europa será o centro da política do meu governo'', afirmou, acrescentando que a Itália manterá ''relações construtivas com os EUA''.
O Ministério do Interior ainda realiza a contagem dos votos no Senado, mas as projeções também apontam a vitória de Prodi. Até ontem, a disputa em território italiano era indefinida, com o bloco de centro-direita liderando a apuração por um assento de vantagem 155 a 154 , mas as seis vagas determinadas por votos de cidadãos italianos residentes no exterior ainda estavam longe de ser definidas.
O resultado definitivo sobre o Senado será conhecido após a apuração total dos votos dos italianos que vivem no exterior, que elegem seis senadores.
A coalizão de centro-direita rejeitou a derrota na Câmara dos Deputados e pedirá a recontagem dos votos, segundo Paolo Bonaiuti, porta-voz de Berlusconi, presidente do Conselho de Ministros em final de mandato.
A Casa das Liberdades (CDL) ''pedirá a comprovação dos votos e das atas'', disse Bonaiuti, em comunicado lido à imprensa. ''A CDL refuta que a centro esquerda tenha vencido politicamente as eleições, porque a CDL ganhou no Senado com mais de 50% e 350 mil votos de diferença'', acrescentou.
Prodi disse ''não estar preocupado'' com a recontagem dos votos, embora tenha assumido que a margem de diferença foi pequena.

mockup