Procuradoria decide abrir investigações contra Kohl
Associated Press
De Berlim
A procuradoria de Bonn decidiu ontem abrir investigação contra o ex-chanceler Helmut Kohl, acusado de malversação de fundos partidários, e comunicou o fato ao Parlamento alemão. O ex-chanceler democrata-cristão, considerado o pai da unificação alemã, manifestou-se desapontado com a decisão judicial. O doutor Kohl lamenta profundamente, disse um porta-voz do ex-líder alemão.
O procurador de Bonn, Bernd Koenig, disse que a medida não deve ser interpretada como ato condenatório de Kohl: O objetivo é esclarecer o caso e ver se cabe alguma ação punitiva. Na declaração, Kohl põe-se à inteira disposição da Justiça, prometendo colaborar no que for possível.
O ex-chanceler admitiu ter criado contas secretas para receber doações políticas destinadas a seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), durante seus 16 anos de governo. A denúncia partiu de um ex-tesoureiro do partido, Walther Leisler Kiep, arrolado num processo por evasão fiscal. Ele não teria recolhido tributo que incidiu sobre uma comissão de US$ 500 mil paga à CDU por um comerciante de armas árabe para facilitar a venda de 36 tanques à Arábia Saudita durante a Guerra do Golfo.
Diante disso, o ex-chanceler que negara a participação de seu governo em atos de corrupção, acabou confessando a existência das contas secretas, mas negou-se categoricamente a revelar os nomes dos doadores. O dinheiro, segundo Kohl, destinava-se a financiar a campanha de políticos da CDU na ex-RDA.
A confissão, fortemente explorada pelo governo social-democrata do chanceler Gerhard Schroeder, provocou um afastamento da cúpula democrata-cristã de seu líder histórico.
O procurador Koenig quer iniciar os trabalhos a partir de segunda-feira. O presidente da CDU, Wolfang Schaueble, acredita numa rápida solução do caso. Se for considerado culpado, o ex-chanceler corre o risco de ir fazer companhia na prisão ao ex-dirigente comunista alemão oriental Egon Krenz.





